Investimento em solar distribuída para empresas e rurais cai 45% em 2026; Zero Grid ganha tração
O segmento de geração própria solar para empresas e propriedades rurais movimentou R$ 6,5 bilhões até outubro de 2026, com 1,4 GW de potência instalada. O valor representa uma queda de 45,8% nos investimentos em relação a 2025, impulsionando a busca pela tecnologia Zero Grid, que evita a injeção de excedentes na rede e contorna as restrições regulatórias.

Os investimentos em geração própria de energia solar por empresas e produtores rurais somaram R$ 6,5 bilhões entre janeiro e outubro de 2026, com a instalação de 66,1 mil novos sistemas e 1,4 gigawatt (GW) de potência. Os dados, compilados pela TTS Energia com base em informações da ANEEL, revelam uma desaceleração significativa no setor, que busca na tecnologia Zero Grid uma alternativa para contornar as novas regras de conexão e cobrança.
A retração nos investimentos foi de 45,8% em comparação com o mesmo período de 2025, quando o setor registrou R$ 12 bilhões e 2,6 GW em novas instalações. Essa queda é reflexo direto da implementação progressiva da cobrança da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) Fio B sobre a energia injetada na rede, conforme a Lei 14.300/2022. Em 2026, essa cobrança atinge 60% do Fio B para sistemas instalados a partir de 2023, elevando o custo da energia compensada em R$ 0,15 a R$ 0,20 por MWh.
Nesse cenário, a tecnologia Zero Grid emerge como uma solução para o autoconsumo, permitindo a geração de eletricidade sem injetar excedentes na rede de distribuição. Formalizada pela Resolução Normativa ANEEL nº 1.098/2024, no artigo 73-A, essa modalidade utiliza sistemas de controle para monitorar o consumo em tempo real e ajustar a geração solar, evitando as restrições de conexão e a cobrança do Fio B sobre a energia não injetada. A TTS Energia já contabiliza 24 projetos Zero Grid, totalizando cerca de 20 MW de potência instalada.
A busca por autonomia energética e previsibilidade de custos impulsiona a adoção do Zero Grid, especialmente em indústrias, estabelecimentos comerciais e propriedades rurais com alto consumo diurno. Embora ainda exija homologação junto à concessionária para garantir a segurança da rede, a solução oferece flexibilidade para empresas no Ambiente de Contratação Livre (ACL) e pode mitigar o impacto da projeção de alta de 9,4% nas tarifas de energia em 2026. A Consulta Pública 033/2026, que propõe a atualização do Módulo 3 do PRODIST com requisitos de monitoramento, sinaliza uma contínua evolução regulatória que pode consolidar ainda mais esse modelo.
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