Anuário ANP 2026 aponta crescimento robusto em petróleo e gás em 2025, com pré-sal dominante
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou o Anuário Estatístico 2026, consolidando os dados de 2025 e revelando um crescimento expressivo na produção de petróleo e gás natural, impulsionado majoritariamente pelo pré-sal. O documento também detalha um cenário misto para biocombustíveis e derivados, fornecendo uma base para a análise do desempenho do setor e o planejamento estratégico.
O Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2026, divulgado pela ANP em 30 de junho, oferece um panorama detalhado do desempenho da indústria nacional em 2025. O relatório, de caráter exclusivamente informativo e analítico, destaca a forte expansão da produção de óleo e gás, com o pré-sal consolidando sua posição como o principal motor da oferta, enquanto o segmento de biocombustíveis e derivados apresenta dinâmicas variadas.
A produção de petróleo no Brasil registrou um avanço de 12% em 2025, alcançando a marca de 3,8 milhões de barris por dia (bpd), conforme os dados da ANP. O pré-sal foi o grande catalisador desse crescimento, respondendo por aproximadamente 80% do volume total, o que se traduz em uma média de 3 milhões de bpd. A Petrobras manteve sua liderança, sendo responsável por 63% da produção nacional, reforçando sua relevância no cenário de E&P.
No setor de gás natural, a trajetória de crescimento se manteve em 2025, com um aumento de 16,7% na produção, atingindo 179,2 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Este é o 16º ano consecutivo de expansão para o gás, com o pré-sal contribuindo com 78,2% da produção total. Para o Radar Energia, este volume crescente é um pilar fundamental para a abertura do mercado e a Nova Lei do Gás, indicando maior disponibilidade para consumo industrial e termelétrico, embora o escoamento e a demanda sigam como desafios a serem superados.
As reservas provadas de petróleo do Brasil cresceram 3,8% em 2025, chegando a 17,5 bilhões de barris, enquanto as reservas totais de petróleo tiveram um leve recuo de 1%, totalizando 28,9 bilhões de barris. Já as reservas provadas de gás natural aumentaram 5%, alcançando 573,3 bilhões de m³, e as reservas totais de gás natural subiram 1,5%, para 751,6 bilhões de m³. O aumento das reservas provadas reforça a segurança energética de longo prazo e a atratividade para novos investimentos em E&P, mas o recuo nas reservas totais de petróleo sinaliza a necessidade de esforço exploratório contínuo para a reposição.
No segmento de biocombustíveis, o Anuário aponta um aumento de 8,7% na produção de biodiesel em 2025 em comparação com o ano anterior. Em contrapartida, a produção total de etanol recuou 2,8%, somando 35,9 bilhões de litros. Contudo, a produção de etanol anidro cresceu 3,1%, impulsionada pela elevação da mistura obrigatória na gasolina de 27% para 30% a partir de agosto de 2025, demonstrando a capacidade da política regulatória de direcionar a produção e o consumo alinhados às metas de descarbonização.
A produção de derivados de petróleo no Brasil apresentou uma queda de 1,4% em 2025, em contraste com o crescimento de 3,1% nas vendas por distribuidoras, com destaque para o querosene de aviação, que aumentou 6,1%. Essa dinâmica aponta para uma crescente dependência de importações para atender à demanda interna, o que pode pressionar a política de preços e a paridade de importação, mantendo o mercado doméstico exposto à volatilidade do Brent, que hoje está em US$ 90,77, e do câmbio, com o dólar cotado a R$ 5,11.
As atividades de exploração e produção em 2025 geraram uma arrecadação de R$ 1,09 bilhão em bônus de assinatura, provenientes dos dois ciclos da Oferta Permanente. Ao final do ano, o país contava com 477 blocos em exploração e 58 campos em produção. Os investimentos obrigatórios em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), decorrentes dos contratos de E&P, totalizaram R$ 4,3 bilhões, um aumento de 2,7%, enquanto as participações governamentais atingiram R$ 100,4 bilhões, alta de 1,4% ante 2024, sublinhando a relevância econômica do setor para a União e estados.
Uma informação notável do Anuário Estatístico 2026 é a ausência de exportações diretas de petróleo do Brasil para Israel em 2025. Este dado representa uma mudança significativa em relação a períodos anteriores, indicando uma reconfiguração nos fluxos comerciais de petróleo do país. Embora o documento não detalhe as razões, essa alteração nos destinos de exportação pode ser reflexo de estratégias comerciais das empresas ou de fatores geopolíticos, e merece acompanhamento para entender seus impactos nos mercados compradores e na balança comercial brasileira.
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