Avanço da IA impulsiona corrida global por energia e dobra demanda de data centers até 2030
A expansão da inteligência artificial generativa está provocando uma nova corrida global por energia elétrica, com a demanda de data centers projetada para mais que dobrar até 2030, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). O fenômeno pressiona o setor energético mundial e mobiliza empresas de tecnologia na busca por soluções inovadoras para o alto consumo e refrigeração dos centros de dados.

A inteligência artificial (IA) generativa provoca uma transformação energética global, elevando drasticamente a demanda por eletricidade e colocando os data centers no centro do planejamento do setor. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo elétrico desses centros de processamento e armazenamento de dados, essenciais para a operação da IA, pode mais que dobrar até 2030, partindo de uma base já considerável, conforme reportagem da CNN Brasil.
Esse crescimento acelerado na demanda por energia, impulsionado por ferramentas como assistentes virtuais e modelos de linguagem avançados, já é comparado por especialistas a uma "revolução do petróleo". Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, destacou a magnitude dessa transformação, que exige do setor elétrico não só maior capacidade de geração, mas também soluções para os desafios inerentes à operação de infraestruturas de alta densidade energética.
Os data centers, responsáveis pelo processamento e armazenamento de vastas quantidades de dados, são conhecidos pelo alto consumo de energia e pela necessidade constante de refrigeração. Grandes empresas de tecnologia, como Google, Microsoft, Amazon (AWS), Meta e OpenAI, que investem massivamente em infraestrutura de IA, buscam ativamente alternativas para reduzir os custos energéticos e os desafios térmicos de suas instalações.
Entre as propostas mais ousadas em estudo, destaca-se a de Elon Musk, que considera levar data centers para o espaço. Segundo Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, a ideia visa aproveitar o resfriamento natural e a maior eficiência da energia solar fora da atmosfera terrestre. Esse conceito remete a testes anteriores com data centers submersos no oceano, que buscavam a refrigeração natural da água.
No Brasil, a crescente demanda por data centers de IA abre oportunidades estratégicas, dada a robusta capacidade de geração elétrica do país, com uma matriz predominantemente renovável (cerca de 83%) e uma capacidade instalada próxima de 190 GW. Contudo, o país precisa avançar não só na oferta de energia, mas também no desenvolvimento tecnológico ligado à inteligência artificial para aproveitar plenamente esse potencial de crescimento econômico e ganho de produtividade.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia (MME) são os órgãos reguladores e formuladores de políticas que precisarão planejar a expansão da oferta de energia para atender a esse novo perfil de consumo. Geradoras e distribuidoras de energia, por sua vez, serão diretamente impactadas pela necessidade de investimentos em infraestrutura de transmissão e distribuição, cujos custos podem ser repassados aos consumidores na forma de tarifas.
Embora não haja um marco regulatório específico para o consumo de energia por data centers de IA, a legislação do setor elétrico brasileiro, como as Leis nº 9.074/95 e nº 9.427/96, que estabelecem as diretrizes para concessões e a criação da ANEEL, serve de fundamento. Políticas de incentivo a fontes renováveis, como os leilões de energia e programas de eficiência energética, tornam-se ainda mais cruciais para garantir que o suprimento para os data centers seja sustentável e alinhado aos objetivos de transição energética do país.
A demanda por data centers de IA pode gerar um impacto significativo na tarifa de energia, impulsionando a necessidade de novos investimentos em geração e infraestrutura de rede. No mercado livre, grandes consumidores como data centers buscarão contratos de longo prazo com fontes renováveis, acelerando a migração e a descarbonização. O setor de investimentos será aquecido, exigindo capital para expandir a capacidade de geração e a rede elétrica. Além disso, haverá atração de investimentos diretos para a instalação de novos data centers no país, consolidando o Brasil como um polo de infraestrutura digital.
A experiência de países como a Irlanda, que já enfrentam dilemas sobre a alocação de energia para data centers versus outras necessidades, serve de alerta. A priorização do uso da rede e a necessidade de um planejamento robusto são evidentes, reforçando a urgência de estudos e políticas que garantam um crescimento energético equilibrado e sustentável diante da explosão da demanda por IA.
Tags
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial a partir de fontes oficiais e/ou públicas, com curadoria editorial do Radar Energia. Sempre que possível, priorizamos documentos, comunicados e dados primários. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.