Coppe/UFRJ avança em pesquisas com tório para a próxima geração nuclear
A Coppe/UFRJ avança em seus estudos sobre o tório, um metal mais abundante e seguro que o urânio, visando o desenvolvimento de uma nova geração de energia nuclear no Brasil. A pesquisa busca reduzir drasticamente os resíduos radioativos e ampliar a segurança das usinas, aproveitando as vastas reservas nacionais do mineral.
A Coppe, instituto de pós-graduação e pesquisa em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lidera as pesquisas com tório, um metal que promete redefinir o futuro da energia nuclear no Brasil. O foco é desenvolver tecnologias para a próxima geração de reatores, que serão intrinsecamente mais seguros e gerarão significativamente menos rejeitos radioativos do que os atuais, baseados em urânio.
O avanço da Coppe se alinha à busca global por fontes de energia limpas e seguras, mas assume importância estratégica para o Brasil devido à abundância do tório no território nacional. O país detém a segunda maior reserva mundial do mineral, estimada em cerca de 600 mil toneladas, um potencial que pode conferir autossuficiência energética nuclear e reduzir a dependência de urânio importado ou de suas reservas domésticas.
Historicamente, o programa nuclear brasileiro, iniciado na década de 1970 com a usina de Angra 1 (640 MW), sempre se baseou no urânio como combustível. A transição para o tório, embora ainda distante de uma aplicação comercial, representará uma mudança de paradigma, aproveitando um recurso nacional subexplorado e alinhando o país a potências como Índia e China, que já investem pesado em reatores a tório, incluindo os de sal fundido (MSRs - Molten Salt Reactors).
A pesquisa da Coppe/UFRJ, que já explora o tema há anos em seu programa de engenharia nuclear, aponta para reatores com menor risco de acidentes severos e uma redução drástica no volume e na radioatividade dos resíduos nucleares. Essa diminuição é fundamental, pois aliviaria a necessidade de armazenamento de longo prazo, um dos maiores desafios e custos da geração nuclear atual.
O ecossistema para o desenvolvimento nuclear no Brasil envolve atores como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que regulamenta e fiscaliza o setor, e a Eletrobras Eletronuclear, operadora das usinas de Angra 1 e Angra 2 (1.350 MW). O Ministério de Minas e Energia (MME) define as diretrizes da política energética, enquanto agências como CNPq e FINEP são vitais para o financiamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em uma área de alto custo e longo prazo.
A exploração de minerais nucleares, incluindo o tório, é monopólio da União, conforme a Constituição Federal. Qualquer avanço para a comercialização de reatores a tório exigiria uma adaptação e expansão do arcabouço regulatório existente, hoje focado principalmente em urânio, para incorporar as especificidades de segurança e operação do novo combustível, um processo complexo e demorado.
Os impactos potenciais do tório para o Brasil são significativos: diversificação da matriz elétrica, onde a nuclear representa cerca de 1%, fortalecimento da segurança energética, redução de custos associados à gestão de resíduos e, potencialmente, uma maior aceitação pública da energia nuclear devido aos ganhos de segurança e sustentabilidade. Isso posicionaria o país de forma estratégica na transição energética global.
No entanto, a pesquisa da Coppe ainda se encontra em fase de laboratório e desenvolvimento conceitual. O caminho até um protótipo e, eventualmente, um reator comercial é longo, exigindo décadas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), validação de modelos computacionais e experimentos em pequena escala. A colaboração internacional e o financiamento contínuo serão elementos cruciais para superar os desafios tecnológicos e regulatórios que se apresentam.
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