Queda de custos de solar, eólica e baterias redefine mercado global até 2035
Os custos da energia solar, eólica e de sistemas de armazenamento em baterias registraram quedas históricas, segundo levantamento da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena). A tendência de declínio persistirá, acelerando a transição energética global e atraindo investimentos substanciais para fontes limpas até 2035.
A Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena) registrou quedas históricas nos custos globais da energia solar fotovoltaica, eólica terrestre e dos sistemas de armazenamento em baterias. O estudo projeta que os preços dessas tecnologias seguirão em declínio até 2035, reconfigurando o mercado de energia e impulsionando investimentos globais na transição para fontes limpas.
A redução de custos, que já ultrapassa 80% para a solar fotovoltaica e 50% para a eólica terrestre na última década, conforme dados da própria Irena, tem sido crucial para a competitividade dessas fontes. Essas fontes se consolidaram como as opções mais baratas para a adição de nova capacidade de geração em diversos mercados, superando, em muitas regiões, as alternativas fósseis.
Esse desempenho é um resultado direto dos contínuos avanços tecnológicos, da otimização dos processos de fabricação que geram economias de escala e de políticas de incentivo robustas implementadas globalmente. A queda do Custo Nivelado de Energia (LCOE) para essas tecnologias as tornou não apenas viáveis, mas preferenciais para novos projetos, atraindo um volume crescente de capital privado e acelerando a descarbonização das matrizes energéticas.
A Irena, como principal referência global em dados sobre energias limpas, destaca a urgência e a viabilidade da transição energética. No Brasil, essa dinâmica é acompanhada de perto por atores como o Ministério de Minas e Energia (MME), que define as diretrizes políticas, e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), responsável pela regulação. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) também utiliza essas projeções para o planejamento da expansão da matriz, enquanto investidores e desenvolvedores de projetos buscam capitalizar as oportunidades.
O Brasil, com sua matriz já predominantemente renovável, tem se beneficiado dessa tendência. A expansão de fontes como a eólica, que já supera 29 GW, e a solar fotovoltaica, com mais de 40 GW (somando centrais e geração distribuída), foi impulsionada por leilões de energia específicos, como os de Fontes Alternativas. A Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 também foi crucial para a geração distribuída, ao estabelecer as regras de compensação de energia.
A contínua redução de custos dessas fontes tende a baratear a energia para o consumidor final no longo prazo, à medida que novos contratos de energia renovável de baixo custo entram em operação. Essa tendência intensifica a migração de grandes e médios consumidores para o mercado livre, onde buscam maior previsibilidade e custos mais competitivos, impactando diretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e as tarifas reguladas.
O cenário de custos decrescentes estimula investimentos em novas usinas e em tecnologias de armazenamento, cruciais para garantir a estabilidade do sistema elétrico diante da crescente penetração de fontes intermitentes. Essa combinação de geração e armazenamento é um pilar para a segurança energética e a resiliência da matriz, facilitando a integração de volumes ainda maiores de energia limpa.
Para os próximos anos, o governo brasileiro sinaliza a continuidade dos leilões de energia, essenciais para a contratação de novas capacidades renováveis e de armazenamento. A ANEEL e o MME continuam a trabalhar na revisão e aprimoramento do arcabouço regulatório. Consultas públicas sobre a modernização do setor elétrico e a abertura do mercado para todos os consumidores estão em pauta, visando consolidar o Brasil como um dos líderes globais na transição energética, a exemplo de nações como China e Estados Unidos, que também impulsionam suas matrizes com incentivos e avanços tecnológicos.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Revistamundoeletrico. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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