Deloitte projeta R$ 57 bilhões em baterias para o Brasil até 2035
A consultoria Deloitte estima que o Brasil atrairá R$ 57 bilhões em investimentos para sistemas de armazenamento de energia por baterias até 2035, um volume que reflete a urgência de flexibilizar a rede elétrica. O aporte é impulsionado pela expansão das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, na matriz energética nacional.
O mercado brasileiro de armazenamento de energia por baterias deve receber R$ 57 bilhões em investimentos até 2035, conforme projeção da consultoria Deloitte. A estimativa aponta um potencial de crescimento significativo para a tecnologia no país, impulsionado pela necessidade de integrar, de forma mais eficiente, a crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, na matriz elétrica.
A expansão dessas fontes, que já representam mais de 25% da capacidade total instalada no Brasil, gera um desafio para a operação do sistema. Historicamente, a regulação brasileira não previa o armazenamento como um ativo independente, mas sim atrelado à geração, o que se mostra inadequado diante da demanda por maior flexibilidade e segurança para a rede.
Apesar do potencial de mercado projetado pela Deloitte, o Brasil ainda não possui um arcabouço regulatório específico e consolidado para o armazenamento de energia como ativo independente. Essa lacuna regulatória gera insegurança jurídica e é apontada por potenciais investidores como um entrave para a concretização de projetos de grande porte.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) tem se dedicado ao tema, com discussões intensificadas desde meados da década passada. Atualmente, a agência conduz a Consulta Pública 052/2023, que busca regulamentar o armazenamento de forma mais abrangente, e a Consulta Pública 001/2023, que propôs a inclusão de sistemas de armazenamento em leilões de transmissão.
Além da ANEEL, o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) são agentes-chave nesse cenário. Enquanto o MME define as políticas setoriais, o ONS gerencia a operação da rede e é um dos maiores beneficiários da flexibilidade que o armazenamento pode oferecer. Empresas de geração e transmissão, além de novos participantes do setor de tecnologia, são os principais interessados em investir.
O investimento em baterias é crucial para a resiliência do sistema elétrico, permitindo a redução do despacho de termelétricas mais caras e poluentes, especialmente em horários de pico ou em momentos de baixa geração renovável. Essa otimização na operação do ONS pode levar à estabilização das tarifas para o consumidor e à aceleração da transição energética, ao evitar o *curtailment* (descarte de energia) de fontes limpas.
O aporte de capital também pode fomentar novos modelos de negócio no mercado livre de energia e no segmento de serviços ancilares, onde o armazenamento pode oferecer estabilidade de frequência e tensão. Países como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido já possuem mercados de armazenamento mais maduros, com leilões dedicados e modelos de remuneração bem estabelecidos, servindo como referência para o desenvolvimento regulatório brasileiro.
No Congresso Nacional, o Projeto de Lei 414/2021, que trata da modernização do setor elétrico, também pode trazer diretrizes importantes para o armazenamento de energia. A aprovação da proposta é vista como um passo fundamental para criar um ambiente mais favorável aos investimentos e destravar o potencial bilionário projetado pela Deloitte.
A conclusão das consultas públicas da ANEEL, em especial a 052/2023, é um dos passos mais aguardados pelo setor. Com um arcabouço regulatório mais claro, espera-se que o MME e a ANEEL possam incluir projetos de armazenamento em futuros leilões de energia e de transmissão, possivelmente a partir de 2024 ou 2025, concretizando parte do investimento projetado.
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