Empresas brasileiras buscam Paraguai por energia barata e regime fiscal
Um número crescente de empresas industriais brasileiras tem avaliado a instalação de operações no Paraguai, atraídas pelo Regime de Maquila, custos trabalhistas mais baixos e, principalmente, pela eletricidade até 65% mais barata. O movimento é impulsionado pelo fim de incentivos fiscais no Brasil, previsto na reforma tributária, e intensifica a pressão competitiva sobre o setor produtivo nacional.
O interesse de empresas industriais brasileiras em estabelecer operações no Paraguai tem crescido, impulsionado por custos operacionais significativamente menores e um regime tributário simplificado. A Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE) informou nesta segunda-feira (20) que companhias de diversos setores avaliam migrar parte de sua produção para o país vizinho, buscando recuperar margens e aumentar a competitividade frente ao cenário doméstico.
A eletricidade industrial no Paraguai, com uma matriz 100% hidrelétrica, é um dos maiores atrativos, custando cerca de R$ 285,60 por MWh, uma economia de aproximadamente 65% em relação às tarifas brasileiras, que podem superar R$ 820,00 por MWh. Além da energia, o Regime de Maquila, em vigor há mais de 25 anos, oferece um imposto único de 1% sobre o valor agregado ou da fatura de exportação, além de isenções fiscais e aduaneiras para importação de insumos, o que pode gerar uma redução de até 40% nos custos totais de produção.
A reforma tributária brasileira atua como um catalisador para essa reavaliação, com a extinção de incentivos fiscais de PIS, Cofins e IPI a partir de 2027, e de ICMS e ISS gradualmente até 2033. Empresas como Grupo Wyda (embalagens), Fadel (logística), Lupo e Döhler (confecção) já operam no Paraguai, enquanto Adere (fitas adesivas), Proeletronic (eletrônicos) e Bralyx (máquinas alimentícias) estão entre as que avaliam o movimento, conforme destacado pela ANACE.
Para o mercado elétrico brasileiro, a migração de indústrias eletrointensivas representa um risco de perda de carga, especialmente no Ambiente de Contratação Livre (ACL). Embora o impacto individual possa variar, a tendência de deslocalização de grandes consumidores industriais pode, no médio e longo prazo, pressionar a demanda agregada de energia no Brasil, afetando a liquidez do ACL e a rentabilidade de geradores, além de poder gerar sobrecontratação para distribuidoras no ACR.
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