Engie precifica follow-on em R$ 30,50 e capta R$ 8,36 bi para Jirau
A Engie Brasil Energia (EGIE3) concluiu um follow-on de R$ 8,36 bilhões, precificando cada ação em R$ 30,50. Os recursos serão usados para incorporar 40% da UHE Jirau, em um movimento que coincide com a prorrogação da concessão da usina pela ANEEL por mais 615 dias, garantindo fluxos de caixa até 2047.
A Engie Brasil Energia (EGIE3) precificou sua oferta subsequente de ações (follow-on) em R$ 30,50 por papel, levantando R$ 8,36 bilhões, conforme fato relevante divulgado nesta quarta-feira (15). O principal objetivo da operação é a incorporação direta de 40% da Usina Hidrelétrica (UHE) Jirau ao portfólio da companhia, participação que antes pertencia à sua controladora, a Engie Brasil Participações.
A precificação das ações ocorreu em 14 de julho, com a divulgação ao mercado no dia seguinte. Como resultado, o capital social da Engie Brasil Energia será elevado de R$ 6,86 bilhões para R$ 15,22 bilhões. A operação também contribuiu para a melhoria da alavancagem da empresa, com a relação dívida líquida/Ebitda recuando de 3,3 vezes no final de 2025 para 3,2 vezes no primeiro trimestre de 2026. A aquisição adiciona 1.500 MW de capacidade instalada ao portfólio da companhia, que decidiu suspender a divulgação de suas projeções financeiras (guidance) após a reestruturação.
Em paralelo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou a prorrogação da concessão da UHE Jirau por um período adicional de 615 dias, estendendo a outorga até 16 de agosto de 2047, conforme decisão de 14 de julho. Esta extensão, que garante mais de 20 anos de fluxos de caixa previsíveis com receitas contratadas de longo prazo, foi concedida como compensação por um equívoco no cálculo da energia destinada ao Ambiente de Contratação Regulada (ACR) em leilões de 2008 e 2011, sem impactar as tarifas dos consumidores.
A Engie Brasil Energia é a principal beneficiária da operação, consolidando um ativo de geração limpa e reforçando sua estrutura de capital e caixa. Embora os acionistas minoritários tenham sofrido diluição pela emissão de novas ações, a aquisição foi aprovada em assembleia geral extraordinária em 2 de julho, visando o fortalecimento da companhia. A decisão da ANEEL, por sua vez, estabelece um precedente regulatório importante para corrigir falhas históricas sem onerar diretamente os consumidores, garantindo a longevidade dos ativos para os concessionários.
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