Harvard aponta flexibilidade para data centers em meio a desafios da rede elétrica brasileira
Um estudo de Harvard propõe o planejamento antecipado de locais e o uso flexível de energia por data centers para acomodar a crescente demanda sem sobrecarregar as redes. A abordagem ganha relevância no Brasil, onde mudanças regulatórias e gargalos de infraestrutura geram disputas e preocupações com a transição energética.

A rápida expansão dos data centers, impulsionada pela Inteligência Artificial, impõe uma demanda sem precedentes sobre as redes elétricas globais, já sob pressão para integrar fontes renováveis e descarbonizar. Um estudo recente de Harvard, publicado em 17 de agosto de 2026, propõe uma abordagem inovadora: em vez de permitir que os desenvolvedores escolham locais e enfrentem longas filas de conexão, os planejadores de rede identificariam previamente as áreas adequadas e exigiriam que os grandes data centers operassem dentro de limites acordados, com flexibilidade no consumo. A proposta ganha relevância no Brasil, que enfrenta desafios regulatórios e de infraestrutura para acomodar essa carga.
Testado em um modelo sintético que simula um sistema elétrico de grande escala, o método de Harvard demonstrou que a flexibilidade no consumo – como a capacidade de cortar ou deslocar o uso de eletricidade em momentos de estresse da rede – poderia aumentar a viabilidade de novos locais em 9% a 21% para instalações de 1 a 2 gigawatts, sem elevar significativamente os preços médios de energia. Essa capacidade de resposta à demanda é vista como um "deslocamento profundo" no planejamento da rede, segundo a ex-secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, e poderia reduzir os tempos de conexão de anos para meses.
No cenário brasileiro, a discussão sobre a integração de data centers é urgente. O Decreto nº 12.772/2025, que instituiu a nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, já está em vigor e tem gerado disputas por acesso à rede, com empresas como Odata Brasil e Casa dos Ventos buscando medidas cautelares na ANEEL para assegurar reserva de capacidade e prioridade. A demanda potencial de data centers no país pode atingir 13,2 GW até 2035, conforme estimativas, mas a falta de infraestrutura de transmissão adequada é um gargalo para o avanço desses projetos, mesmo com a abundância de energia renovável disponível, elevando o risco de curtailment.
Especialistas alertam que os custos de expansão da infraestrutura elétrica para atender a essa demanda podem ser repassados aos consumidores brasileiros, caso não haja uma regulamentação que equilibre a expansão do setor com a sustentabilidade tarifária. A discussão sobre a aplicação de tarifas locacionais para polos de data centers é um indicativo dessa preocupação. Enquanto isso, desenvolvedores buscam ativamente a autoprodução ou contratos no Ambiente de Contratação Livre (ACL) para garantir custos de energia mais competitivos, ao mesmo tempo em que acompanham a tramitação do Projeto de Lei nº 3018/2024 no Senado, que propõe requisitos de eficiência energética e sustentabilidade para data centers de IA.
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