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Radar Energia
AnáliseBiocombustíveis

IICA e CPBIO debatem potencial agrícola para SAF nas Américas, com ProBioQAV no radar

O IICA e a CPBIO discutiram em São Paulo as oportunidades para escalar a produção de SAF a partir da agricultura nas Américas. O debate ocorre enquanto o Brasil avança na regulamentação do ProBioQAV, que criará um novo mercado de certificados de sustentabilidade para a aviação.

2 de julho de 2026 às 07:48Fonte oficial: IntRedação Radar Energia

O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Coalizão Pan-Americana de Biocombustíveis Líquidos (CPBIO) debateram em São Paulo os desafios e oportunidades para escalar a produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) a partir da agricultura nas Américas. O encontro ocorre em um momento crucial para o setor, com o Brasil avançando na regulamentação do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), que criará um novo mercado de ativos ambientais para descarbonizar a aviação.

A minuta de decreto do ProBioQAV, proposta pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e atualmente em consulta pública desde dezembro de 2025, prevê a criação do Certificado de Sustentabilidade do Combustível Sustentável de Aviação (CS-SAF). Esse novo ativo ambiental, similar ao CBIO do RenovaBio, será a base para as metas de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) impostas aos operadores aéreos em voos domésticos, que deverão adquirir e aposentar os CS-SAF para cumprir suas obrigações. O modelo book & claim permitirá a comercialização do certificado separadamente do SAF físico, evitando dupla contagem do atributo ambiental.

O potencial agrícola das Américas para o SAF é significativo. IICA e CPBIO estimam que a melhoria dos rendimentos em seis culturas-chave (milho, cana-de-açúcar, trigo, soja, palma e canola) poderia gerar mais de 512 milhões de m³ de SAF, volume que supera a demanda global estimada pela IATA em 449 milhões de m³ até 2050 para alcançar emissões líquidas zero. No Brasil, a Petrobras já produziu SAF em escala industrial em São Paulo no final de 2025, via coprocessamento de óleos vegetais, e uma nova planta de biogás para SAF está prevista para 2025, com capacidade de 750 L/dia a partir de resíduos sucroenergéticos.

Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios como a necessidade de harmonização internacional dos padrões de sustentabilidade para a medição da pegada de carbono do SAF. A ausência de reconhecimento mútuo entre os diferentes padrões eleva custos e duplica certificações, dificultando a expansão global. Há também um apelo por incentivos econômicos claros para atrair os investimentos necessários à escalada da produção de SAF, sugerindo que o atual ambiente de mercado não é suficiente para catalisar o volume de capital requerido.

A implementação do ProBioQAV e a criação do CS-SAF gerarão um novo mercado de ativos ambientais, com impacto direto nos custos de conformidade para as companhias aéreas domésticas, que precisarão adquirir esses certificados. Por outro lado, produtores, importadores e agentes misturadores de SAF terão uma nova fonte de receita pela geração e venda desses certificados, incentivando a produção e a inovação no setor de biocombustíveis e aviação civil.

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Como esta matéria foi produzida: conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial a partir de fontes oficiais e/ou públicas, com curadoria editorial do Radar Energia. Sempre que possível, priorizamos documentos, comunicados e dados primários. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.