Comgás projeta injetar 800 mil m³/dia de biometano na rede
A Comgás planeja injetar cerca de 800 mil m³/dia de biometano em sua rede de distribuição, um volume impulsionado pelo mandato compulsório da Lei do Combustível do Futuro. A iniciativa da distribuidora paulista reforça a resposta do setor à nova legislação, que visa descarbonizar a matriz de gás natural no país.
A Comgás projeta injetar cerca de 800 mil m³/dia de biometano em sua rede de distribuição, volume impulsionado pelo mandato compulsório da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024). A previsão foi divulgada pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (ABEGÁS), indicando um avanço na descarbonização da matriz de gás natural no estado de São Paulo.
O movimento da distribuidora responde ao arcabouço regulatório que instituiu metas de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) para produtores e importadores de gás natural, com a obrigação de cumprimento em vigor desde 1º de janeiro de 2026. Para 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) fixou uma meta de 0,5% de participação de biometano no consumo de gás natural. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) detalhou as regras de comercialização e mistura do biometano na rede pela Resolução ANP nº 1.006/2026, publicada em 12 de agosto, exigindo que o biocombustível atenda às especificações de qualidade do gás natural.
Para viabilizar o volume projetado, a Comgás já conectou duas plantas de biometano à sua rede e lançou uma chamada pública em fevereiro de 2026 para novas interconexões. A demanda regulada, criada pela Lei do Combustível do Futuro, incentiva a produção e o uso do biometano, atraindo investimentos. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (ARSESP) contribuiu ao criar a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) específica para produtores de biometano, a TUSD-Verde, facilitando o financiamento da infraestrutura de interligação. Embora o modelo de Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB) vise mitigar o repasse de custos ao consumidor final, entidades de consumidores e o Ministério de Minas e Energia (MME) já expressaram preocupação com potenciais pressões de custo para a indústria.
A iniciativa da Comgás, uma das maiores distribuidoras do país, estabelece um precedente para outras concessionárias de gás canalizado no Brasil, validando a viabilidade técnica e comercial da injeção de biometano em larga escala. A expansão do biometano é vista como um catalisador para o mercado de CGOBs, impulsionando a oferta e a atração de novos produtores e consolidando o posicionamento do setor de distribuição na transição energética nacional.
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