Onda de calor na Europa provoca apagões e testa redes elétricas
Uma nova onda de calor extremo atinge a Europa, provocando interrupções no fornecimento de energia elétrica e sobrecarregando as redes de países como Espanha, França e Itália, enquanto o número de mortos já supera 50, segundo agências de notícias.
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A Europa enfrenta uma nova onda de calor intenso, que já resultou em mais de 50 mortes e provoca interrupções no fornecimento de energia em países como Espanha, França e Itália. Além dos apagões, o calor extremo causa atrasos em transportes e o fechamento de escolas. Com temperaturas que devem superar os 35°C para cerca de 94 milhões de pessoas nesta semana, principalmente na França e Espanha, segundo cálculos da agência AFP, a infraestrutura elétrica do continente é posta à prova.
O uso massivo de ar-condicionado tem impulsionado um aumento significativo na demanda por eletricidade. Em eventos anteriores, ondas de calor provocaram picos de consumo que elevaram a carga em 10% a 15% em relação aos dias normais de verão. Operadoras de rede, como a RTE (Réseau de Transport d'Électricité) na França e a REE (Red Eléctrica de España) na Espanha, trabalham para manter a estabilidade do sistema em meio à sobrecarga e aos riscos de interrupções localizadas.
A recorrência desses eventos extremos evidencia a vulnerabilidade da infraestrutura energética europeia. Ondas de calor históricas, como a de 2003, que causou cerca de 70 mil mortes, já haviam sobrecarregado as redes elétricas e gerado apagões em diversos países. A Agência da União Europeia para a Cooperação de Reguladores de Energia (ACER) e a Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transmissão de Eletricidade (ENTSO-E) coordenam esforços para garantir a segurança e a resiliência do sistema. Contudo, a crescente frequência dos eventos climáticos extremos impõe a necessidade de adaptações contínuas.
Além do aumento da demanda, as temperaturas elevadas também afetam a capacidade de geração de energia. Usinas termelétricas e nucleares operam com menor eficiência devido à elevação da temperatura da água dos rios, utilizada para resfriamento, o que pode levar a reduções de potência ou até mesmo a paradas. Esse cenário impulsiona a busca por soluções de armazenamento de energia e flexibilidade da demanda, impactando diretamente os investimentos em novas tecnologias e a transição energética do bloco.
Diante desse quadro, o Regulamento (UE) 2019/941, que trata da preparação para riscos no setor da eletricidade, exige que os Estados-Membros elaborem planos de contingência e cooperem regionalmente para prevenir e gerir crises. O Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal) e o pacote legislativo 'Fit for 55' também impulsionam o investimento em eficiência energética, a diversificação da matriz com fontes renováveis e o desenvolvimento de sistemas de armazenamento, visando garantir a segurança do abastecimento e a estabilidade da rede frente às mudanças climáticas.
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