ONS alerta para 2 GW de data centers e propõe revisão de regras de conexão
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alerta que a expansão de data centers no Brasil, com projetos que somam cerca de 10 GW e uma demanda potencial de 2 GW já identificada, demanda uma revisão das regras de conexão. A iniciativa visa garantir a segurança e a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante dessa nova configuração de carga.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destaca que a expansão de data centers de grande porte no Brasil, com cerca de 10 GW em projetos e uma demanda potencial de 2 GW já identificada, cria novos desafios para o planejamento e a operação do sistema elétrico. A entidade alerta que o volume e o perfil de carga desses empreendimentos podem exigir uma nova abordagem nos estudos de acesso e segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Diante desse cenário, o ONS propõe a introdução de critérios mais rigorosos para os estudos de acesso de grandes empreendimentos, visando avaliar a capacidade de conexão e o impacto na estabilidade e segurança do SIN. Isso pode incluir a definição de novos limites de potência conectada e a exigência de requisitos técnicos adicionais, como equipamentos de controle de tensão e frequência ou participação em serviços ancilares, demandando investimentos antecipados em reforços da rede de transmissão e distribuição.
A urgência do ONS se alinha às projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que em agosto de 2026 revisou drasticamente para cima sua estimativa de demanda de energia para data centers, projetando 20 GW em uma década e 5,6 GW médios até 2030. Desenvolvedores e operadores de data centers serão diretamente impactados, necessitando adequar projetos e prever investimentos adicionais em infraestrutura elétrica para cumprir os novos requisitos.
No mercado, a entrada de grandes blocos de carga constante, como os 2 GW já identificados pelo ONS, pode gerar pressão significativa sobre o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), especialmente em submercados com restrições de transmissão e em períodos de escassez. Atualmente, o PLD no Sudeste/Centro-Oeste está em R$ 145,47/MWh. Essa demanda massiva também aumenta a necessidade de lastro no sistema e impacta a curva forward de energia no Ambiente de Contratação Livre (ACL).
As discussões sobre as novas regras estão em andamento na ANEEL e no ONS, com expectativa de formalização via Resoluções Normativas da agência ou Procedimentos de Rede do operador ainda em 2026 ou início de 2027. É provável que haja regras de transição para projetos já com outorga ou solicitação de acesso formalizada, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados, o que adiciona um elemento de risco regulatório para investimentos já em curso.
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