Engie Brasil conclui aquisição de ativos de transmissão por R$ 1,5 bilhão
A Engie Brasil, por meio de sua subsidiária, finalizou a compra de lotes de transmissão no leilão ANEEL 01/2026, com investimento estimado de R$ 1,5 bilhão. A operação inclui uma linha de 230 kV entre Paraná e Santa Catarina e compensadores síncronos no Ceará e Rio Grande do Norte, visando fortalecer o sistema elétrico e o escoamento de renováveis.
A Engie Brasil, por meio de sua subsidiária ENGIE Transmissão de Energia Participações S.A., concluiu a aquisição do Lote 2 e dos sublotes 3A, 3B, 3C e 3D no Leilão de Transmissão nº 01/2026 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O investimento total estimado pela ANEEL para esses projetos é de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, conforme comunicado pela companhia.
A aquisição implica na construção de uma linha de transmissão de 230 kV com 143 km, conectando os estados do Paraná e Santa Catarina, além da implantação de cinco compensadores síncronos nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte. As concessões para esses ativos têm prazo de 30 anos, e a Engie prevê a conclusão das obras em 42 meses, com meta de antecipar a operação para dezembro de 2029. Os lotes arrematados pela Engie registraram um deságio de 53% no leilão.
A expansão da infraestrutura de transmissão, com a nova linha e os compensadores síncronos, visa fortalecer a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN), reduzir restrições operativas e favorecer o aproveitamento das energias renováveis, prevenindo *curtailments*. Essa melhoria na capacidade de escoamento e na estabilidade do sistema é fundamental para a integração de novos projetos de geração, especialmente eólica e solar, e tende a reduzir a volatilidade e a separação de preços entre os submercados Sul e Nordeste. Dados da CCEE para agosto de 2026 indicam que o PLD no Sudeste/Centro-Oeste, por exemplo, está em R$ 145,47/MWh, enquanto no Nordeste, onde parte dos ativos será instalada, registra R$ 131,67/MWh.
Para analistas de mercado, o deságio elevado nos leilões de transmissão, embora benéfico para o consumidor ao resultar em uma Receita Anual Permitida (RAP) menor, pode gerar retornos mais modestos para os investidores. A Engie, por sua vez, reforça seu portfólio de ativos regulados, mas enfrentará desafios relacionados a licenciamento ambiental e questões fundiárias para cumprir os prazos. A operação se insere em um cenário de intensa movimentação no setor, evidenciado por outras aquisições recentes, como a venda de ativos da Energisa para a Taesa e da Axia Energia para a Gebbras.
Tags
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.