Gás a US$ 14 inviabiliza aço verde no Brasil, diz CEO da Vale
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou em 25 de agosto de 2026 que o preço atual do gás natural no Brasil, em torno de US$ 14/MMBTU, inviabiliza a produção de aço verde. A declaração ocorre em meio a recentes movimentações regulatórias do CNPE e da ANP que buscam reduzir o custo do insumo para a indústria, visando a faixa de US$ 5 a US$ 6/MMBTU.
O custo atual do gás natural no Brasil, em torno de US$ 14/MMBTU, inviabiliza a produção de aço verde no país, afirmou Gustavo Pimenta, CEO da Vale, em 25 de agosto de 2026. Segundo o executivo, para que projetos como o de HBI (Hot Briquetted Iron) se tornem economicamente viáveis, o preço do insumo precisaria estar na faixa de US$ 5 a US$ 6/MMBTU, em contraste com os US$ 3/MMBTU praticados no Oriente Médio, que colocam o Brasil em desvantagem competitiva.
A declaração de Pimenta reflete uma demanda antiga da indústria e ganha relevância diante das recentes movimentações regulatórias que buscam destravar o mercado de gás e reduzir seus preços. Em 30 de julho de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a Resolução nº 15, publicada no Diário Oficial da União em 25 de agosto de 2026, que autoriza a venda direta do gás natural pertencente à União no mercado livre. A medida prioriza indústrias de base, como a química e a do aço, nos leilões de gás da União provenientes do pré-sal, com a expectativa de reduzir o preço para cerca de US$ 5/MMBTU.
Complementando essa iniciativa, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou em 26 de junho de 2026 uma nova regulamentação que permite a empresas negociar o uso de estruturas essenciais do setor, como terminais de GNL, gasodutos e unidades de processamento, em condições iguais de acesso. Essa medida implementa a Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021) e visa aumentar a competitividade do mercado. A ANP também abriu a Consulta Pública nº 13/2026 em 24 de agosto de 2026 para detalhar o acesso negociado a gasodutos de escoamento e instalações de tratamento.
Para a indústria siderúrgica, que busca descarbonizar sua cadeia, um gás natural competitivo é crucial para viabilizar a produção de aço verde e servir como ponte para a futura integração com o hidrogênio verde. Contudo, o mercado de gás natural permanece suscetível à volatilidade de preços globais, como demonstrado pelo aumento de 19,2% da Petrobras em maio de 2026 e o alerta da Abegás para um possível aumento de 40% em agosto de 2026 devido a conflitos no Oriente Médio. A efetividade dos leilões de gás da União, previstos entre 2026 e 2030, e os resultados da Consulta Pública ANP nº 13/2026 serão fundamentais para a concretização da queda e estabilidade dos preços.
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