Cade aprova JV de YPF, Eni e Adnoc para projeto Argentina GNL de US$ 51 bi
O Cade aprovou a formação de uma joint venture entre YPF, Eni e a subsidiária XRG da Adnoc para o projeto Argentina GNL, avaliado em US$ 51 bilhões. A decisão regulatória brasileira abre caminho para o desenvolvimento de uma cadeia de valor integrada de GNL com capacidade de 12 MTPA, visando o mercado global e com o Brasil como potencial principal consumidor a partir de 2030.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a formação de uma joint venture (JV) entre a argentina YPF, a italiana Eni e a XRG, subsidiária do Grupo Adnoc dos Emirados Árabes Unidos, para o projeto integrado Argentina GNL. Avaliado em US$ 51 bilhões, o empreendimento de grande escala visa desenvolver a formação de xisto de Vaca Muerta e estabelecer uma cadeia de valor completa de gás natural liquefeito, desde a produção upstream até a comercialização global, com o Brasil despontando como um potencial mercado consumidor principal.
A JV envolverá a constituição de duas entidades controladas conjuntamente: uma para atividades de upstream e outra para midstream, responsáveis pela produção e comercialização de GNL, líquidos de gás natural (LGN), incluindo condensado e etano, e gás liquefeito de petróleo (GLP). O projeto prevê a operação de duas unidades Floating Liquefied Natural Gas (FLNG) ao largo da costa de Rio Negro, no Golfo de San Matías, com capacidade combinada de 12 milhões de toneladas por ano (MTPA) e início de operações esperado para 2030.
A decisão do Cade, proferida em 25 de agosto de 2026, concluiu que a operação não acarreta prejuízos ao ambiente concorrencial brasileiro, uma vez que a participação conjunta das partes no mercado mundial de gás natural ficou abaixo de 20%, patamar que presume posição dominante. Este aval regulatório é um passo fundamental para o avanço do projeto, embora a transação ainda dependa de aprovações de autoridades de defesa da concorrência na Argentina, China, Alemanha e Polônia.
Com uma Decisão Final de Investimento (FID) prevista para o segundo semestre de 2026, o projeto Argentina GNL projeta gerar receitas de exportação de aproximadamente US$ 10 bilhões por ano ao longo de duas décadas. As companhias justificam a transação como uma oportunidade para desenvolver conjuntamente um projeto integrado de GNL na Argentina, atendendo à crescente demanda global por GNL por meio de uma cadeia de valor integrada e explorando um recurso estratégico como Vaca Muerta.
Este movimento se alinha à recente estruturação do mercado de gás natural no Brasil. Em 1º de julho de 2026, a ANP publicou a Resolução nº 1.003/2026, que regulamenta o acesso não discriminatório e negociado de terceiros aos terminais de GNL no país.
A efetivação do projeto e seu impacto no suprimento brasileiro dependerão, portanto, da conclusão das aprovações internacionais e da concretização da FID. A expectativa é que o aumento da oferta de GNL na região, a partir do início das operações em 2030, possa trazer maior resiliência ao sistema energético brasileiro.
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