ONS aponta alta ENA no SIN, mas restringe geração renovável em 200 MW no Nordeste
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou carga de 86.632 MWméd no SIN em 27 de outubro, com a Energia Armazenada (EAR) em 58,4%. Apesar da Energia Natural Afluente (ENA) do SIN atingir 166% da MLT, o relatório aponta restrições operacionais à geração renovável, incluindo 200 MW no Nordeste, sinalizando desafios na integração de fontes intermitentes.
A operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) em 27 de outubro registrou uma carga de 86.632 MWméd e Energia Armazenada (EAR) em 58,4%, segundo o Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) do ONS. O cenário hidrológico se mostrou favorável, com a Energia Natural Afluente (ENA) do SIN alcançando 166% da Média de Longo Termo (MLT), mas o relatório destaca restrições significativas à geração renovável, incluindo 200 MW no Nordeste.
A ENA elevada foi impulsionada pelo subsistema Sul, que atingiu 234% da MLT, enquanto Nordeste e Norte ficaram abaixo, com 62% e 44% respectivamente. A composição da geração no dia 27 de outubro refletiu essa dinâmica, com a hidráulica respondendo por 59% da oferta, seguida por solar (18%), térmica (12%), eólica (9%) e nuclear (2%). A carga de 86.632 MWméd representa uma variação em relação aos 89.702 MWméd de 13 de outubro e aos 85.841 MWméd de 24 de setembro, enquanto a EAR do SIN segue uma tendência de leve queda nos últimos meses, vindo de 59,7% em 13 de outubro.
As restrições operacionais foram um ponto de atenção, com a geração renovável no Nordeste limitada em 200 MW devido a controle de inequações regionais e fluxos sistêmicos. Outras limitações por controle de frequência foram observadas em Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Norte. Para o Radar Energia, embora a alta ENA no SIN tenda a pressionar o PLD para baixo, o curtailment de renováveis impede o pleno aproveitamento dessas fontes, podendo gerar volatilidade nos preços de curto prazo e prêmios de risco na curva forward, especialmente para contratos de energia incentivada.
Essa dinâmica beneficia geradores hidráulicos e térmicos flexíveis, que garantem maior despacho para compensar a energia não gerada pelas renováveis. Em contrapartida, geradores eólicos e solares perdem receita e podem ter sua garantia física comprometida. O cenário sublinha a crescente dificuldade de integrar a geração intermitente sem investimentos robustos em infraestrutura de transmissão e flexibilidade do sistema, como tecnologias de armazenamento, um risco que pode impactar a atratividade de novos projetos e as metas de descarbonização do país.
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