ONS aponta forte restrição de renováveis e carga recorde no Norte em 20 de agosto
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou em 20 de agosto uma carga global de 86.647 MWméd no SIN, com reservatórios em 66,6% da EAR, mas com restrições significativas à geração eólica e solar, especialmente no Nordeste. O submercado Norte atingiu um novo recorde de demanda, em um cenário que reforça os desafios de escoamento e a complexidade regulatória do setor.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontou em seu informativo preliminar diário que a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) em 20 de agosto registrou uma carga global de 86.647 MWméd, com a Energia Armazenada (EAR) em 66,6% do total. O ONS destacou a significativa restrição à geração renovável em todos os submercados, somando 11.272 MW no Nordeste e 2.826 MW no Sudeste/Centro-Oeste, além de um novo recorde de carga média no Norte, que alcançou 9.763 MWméd.
Os cortes na geração eólica e solar, que totalizaram mais de 14 GW médios no dia, evidenciam os gargalos persistentes na infraestrutura de transmissão, mesmo com a matriz de geração composta por 51% hidráulica, 19% eólica e 16% solar. Este cenário se insere no contexto da regulamentação da compensação de R$ 3,3 bilhões, via Portaria Normativa MME nº 140/2026, para usinas centralizadas que sofreram curtailment por confiabilidade entre setembro de 2023 e novembro de 2025. Os agentes interessados têm 20 dias, a partir da publicação em 22 de julho, para manifestar interesse no sistema Celebra do MME.
A continuidade do elevado volume de curtailment, mesmo com níveis de reservatórios confortáveis, mantém um prêmio de risco nos contratos de longo prazo no Ambiente de Contratação Livre (ACL). A incerteza sobre a compensação de cortes futuros pode indicar que o custo da energia renovável para o consumidor livre tende a ser mais elevado, impactando a liquidez e o spread dos PPAs. Paralelamente, o setor acompanha o mecanismo emergencial da ANEEL para gerenciar excedentes na Geração Distribuída, acionado pela primeira vez em junho, e a cobrança progressiva do Fio B para sistemas instalados após janeiro de 2023.
A persistência de restrições à geração renovável reforça a urgência de investimentos em expansão da rede de transmissão e em soluções de armazenamento de energia. O mercado deve acompanhar o avanço dos leilões de transmissão para avaliar a mitigação do risco de curtailment e seu impacto na curva forward de longo prazo, que atualmente reflete essa incerteza.
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