Aneel debate Super El Niño e articula medidas para resiliência do setor elétrico
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sediou um debate sobre os impactos do iminente “Super El Niño” no setor elétrico, enquanto o governo implementa ações proativas para garantir o suprimento e fortalecer a resiliência da infraestrutura, especialmente no Norte e para o Sistema Interligado Nacional.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sediou nesta quarta-feira (20/8) o evento “Super El Niño e a Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro”. O encontro reuniu especialistas, representantes do governo, agentes do setor e pesquisadores para debater os impactos dos eventos climáticos extremos sobre o Sistema Elétrico Nacional. Transmitido ao vivo pelo canal da ANEEL no YouTube, o debate reflete a crescente atenção global aos efeitos climáticos na infraestrutura energética.
Em resposta ao cenário de alta probabilidade de um “Super El Niño” entre outubro e dezembro de 2026, com potencial de se estender até o início de 2027, a ANEEL abriu um processo para antecipar recursos via Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) a pequenas geradoras da Região Norte. A medida, iniciada em 20 de agosto, visa garantir o suprimento antecipado de combustível em áreas isoladas, mitigando riscos de desabastecimento por secas extremas. Adicionalmente, o Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou a antecipação de suprimento de contratos, adicionando 1,8 GW de capacidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de setembro de 2026.
As distribuidoras de energia elétrica foram recomendadas a reforçar seus planos de contingência e a resiliência de suas infraestruturas para o período entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. Essa mobilização regulatória reflete uma preocupação governamental mais ampla: em 20 de julho, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) já havia instituído um grupo de trabalho para coordenar ações federais de prevenção e resposta. No final de julho, o MME também solicitou à ANEEL a intensificação da fiscalização sobre as distribuidoras após blecautes, reforçando a necessidade de planos robustos.
O cenário de menor geração hidrelétrica no Norte e Nordeste, e maior demanda térmica, tende a pressionar o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) para cima e aumentar a volatilidade no mercado livre. Para o consumidor cativo, o risco é de acionamento de bandeiras tarifárias mais elevadas, resultando em aumento nas contas de luz. A ANEEL ainda comunicou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as medidas preventivas para as eleições de outubro, demonstrando a abrangência da preocupação com a continuidade dos serviços essenciais.
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