ONS atualiza projeções para 2º semestre; segurança garantida com custo adicional de R$ 9,1 bi
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) a segurança do abastecimento eletroenergético para o segundo semestre de 2026, impulsionado pela recuperação dos reservatórios. Contudo, a manutenção dos parâmetros de aversão ao risco, decidida em julho de 2025, deve impor um custo adicional de até R$ 9,1 bilhões ao consumidor, repassado via Encargos de Serviço do Sistema (ESS), gerando críticas de comercializadores e impactando o PLD.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) as projeções atualizadas de atendimento eletroenergético para o segundo semestre de 2026, confirmando a segurança do abastecimento para o período. A avaliação aponta para uma recuperação robusta dos reservatórios, especialmente no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, mas o cenário de operação reacende o debate sobre a otimização econômica do sistema, com a preservação dos parâmetros de aversão ao risco que resultam em custos adicionais bilionários para o consumidor.
Ao final de junho, o armazenamento do Sistema Interligado Nacional (SIN) atingia 71% de sua capacidade, com o subsistema Sudeste/Centro-Oeste em 65,5%, segundo dados do ONS reportados pelo CanalEnergia. As demais regiões também registravam níveis confortáveis: o Sul em 71,2%, o Nordeste em 89% e o Norte em 95%. As projeções do ONS indicam que, mesmo em um cenário de afluências a 91% da Média de Longo Termo (MLT) para o Sudeste/Centro-Oeste, o estoque energético da principal bacia hidrográfica do país deverá encerrar dezembro acima de 53%, um patamar 11,3 pontos percentuais superior ao registrado no ano anterior.
Apesar da melhora hidrológica e dos níveis elevados dos reservatórios, o CMSE optou por manter os parâmetros de aversão ao risco para todo o ano de 2026, uma decisão tomada em julho de 2025 e embasada em análises técnicas que foram submetidas à Consulta Pública nº 186/2025. Essa postura, que visa garantir a segurança do abastecimento, tem como contrapartida um custo adicional estimado em até R$ 9,1 bilhões para o consumidor, decorrente do despacho de termelétricas que o mercado considera desnecessárias.
Esse montante será repassado aos consumidores por meio dos Encargos de Serviço do Sistema (ESS) e exercerá pressão sobre a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), impactando diretamente as tarifas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já refletiu parte desse cenário ao manter a bandeira tarifária amarela em julho de 2026, que implica um acréscimo de R$ 1,885 a cada cem quilowatts-hora, parcialmente devido ao acionamento de usinas de custo mais elevado.
No mercado de energia, a decisão do CMSE frustrou as expectativas de comercializadores, que antecipavam uma redução nos custos de energia e, consequentemente, no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD). A manutenção dos parâmetros de aversão ao risco impacta diretamente as estratégias de contratação tanto no Ambiente de Contratação Livre (ACL) quanto no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), elevando o custo de aquisição de energia.
A tensão entre a busca pela segurança do abastecimento e a otimização econômica do sistema elétrico permanece. Enquanto o ONS, como operador, continua a monitorar as condições hidrológicas e a demanda para implementar o despacho complementar de termelétricas e a operação otimizada de hidrelétricas, os agentes do setor e os consumidores sentem o peso de uma estratégia que prioriza a robustez da oferta, ainda que a um custo mais elevado. O CMSE, por sua vez, atua na análise das projeções e delibera sobre as estratégias operacionais que moldam o dia a dia do setor.
Além das projeções para o segundo semestre, o ONS divulgou em 7 de julho o sumário executivo do Plano da Operação Energética (PEN) 2027-2030, que delineia as diretrizes para os próximos anos. Na mesma data, o operador abriu uma Consulta Externa para aprimorar os modelos do setor elétrico (CT PMO/PLD), buscando maior precisão e eficiência nas ferramentas de planejamento e precificação, iniciativa que pode mitigar futuras tensões entre segurança e custo operacional.
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