Piraquê da ISA Energia entra em operação 16 meses antes e reforça escoamento de renováveis
O projeto Piraquê, da ISA Energia Brasil, foi integralmente energizado em junho, 16 meses antes do prazo regulatório, adicionando cerca de 1.000 km de linhas de transmissão e 6 GW de capacidade de escoamento. A antecipação é crucial para mitigar o curtailment de usinas renováveis no Norte de Minas Gerais e otimizar o despacho de energia barata no Sistema Interligado Nacional.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) recebeu um reforço significativo na capacidade de escoamento de energia renovável com a entrada em operação comercial integral do Projeto Piraquê, da ISA Energia Brasil, em 11 de junho de 2026. O empreendimento foi energizado com 16 meses de antecipação em relação ao prazo regulatório estabelecido pela ANEEL, um marco importante para a infraestrutura de transmissão do país.
Com investimento atualizado de aproximadamente R$ 4,4 bilhões, o Piraquê adiciona cerca de 1.000 km de linhas de transmissão e uma capacidade de transformação de 2.250 MVA, e eleva a capacidade de escoamento em até 6 GW. Essa nova infraestrutura, composta por sete linhas de 500 kV e uma de 345 kV, além de subestações em Minas Gerais e Espírito Santo, é crucial para aliviar gargalos históricos no Norte de Minas Gerais, uma das regiões com maior concentração de geração solar fotovoltaica do país.
A operação antecipada do Piraquê impacta diretamente a gestão do SIN, ao permitir a integração mais eficiente da crescente capacidade de geração renovável, especialmente eólica e solar. O ONS, ao conceder o Termo de Liberação Definitivo (TLD), atestou a aptidão do projeto para operar e ser remunerado, garantindo maior flexibilidade e robustez ao sistema e eliminando sobrecargas entre as regiões Nordeste e Sudeste.
Beneficiam-se principalmente os geradores de energia renovável no Norte de Minas Gerais, que ganham maior capacidade de escoamento e uma redução esperada do curtailment, ou corte compulsório de geração. Esse problema, causado pela limitação da infraestrutura de transmissão, tem causado perdas financeiras e subutilização de ativos. A entrada do Piraquê antes do prazo regulatório demonstra, assim, um esforço para alinhar a capacidade de escoamento com a demanda de conexão de novas usinas.
Para a ISA Energia Brasil, concessionária responsável pelo projeto, a antecipação representa a antecipação do recebimento de sua Receita Anual Permitida (RAP), fixada em R$ 343,1 milhões para o ciclo 2025/2026. Essa remuneração, incorporada à base de cálculo das tarifas de transmissão (TUST/TUSD), reflete o valor agregado ao sistema pela nova infraestrutura.
No mercado de energia, a maior capacidade de escoamento de energia renovável de baixo custo marginal pode contribuir para a redução do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) nas regiões atendidas, especialmente em picos de geração. A otimização do despacho de energia barata tende a pressionar os valores do PLD para baixo, beneficiando os consumidores indiretamente.
No longo prazo, a redução do curtailment e a maior eficiência do sistema podem mitigar a necessidade de acionamento de usinas térmicas mais caras, com impacto positivo nos encargos setoriais e nos custos de Serviço do Sistema (ESS/ESS-RE). O empreendimento Piraquê foi arrematado no Lote 3 do Leilão de Transmissão nº 01/2022 da ANEEL, com o objetivo de endereçar esses pontos de estrangulamento para garantir a integração eficiente da crescente capacidade de energia limpa ao SIN.
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