Restrição de 614 MW no Sul reforça urgência de novos critérios de curtailment da Aneel
O Sistema Interligado Nacional (SIN) registrou um corte de 614 MW na geração renovável do Sul em 7 de julho, conforme o Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) do ONS. O dado sublinha a pressão por uma definição nos novos critérios de curtailment da ANEEL, em debate há sete anos, que visa aprimorar a gestão de excedentes e garantir a segurança operacional.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) operou com uma carga global de 79.147 MWméd no dia 7 de julho, segundo o Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) do ONS, que apontou uma restrição de 614 MW de geração renovável na região Sul devido a controle de frequência. A ocorrência reforça a urgência da ANEEL em finalizar a discussão sobre os novos critérios de curtailment (cortes de geração), que se arrasta há sete anos e busca organizar a gestão de excedentes no setor elétrico.
A carga observada no dia superou a projeção média mensal do ONS para julho de 2026, revisada para 77.541 MW médios, um crescimento de 1,7% em relação ao ano anterior. A Energia Armazenada (EAR) do SIN fechou o dia em 71,7%, alinhada aos 71% reportados pelo CMSE ao final de junho, considerado um patamar robusto para o início do período seco. A matriz de geração no dia 7 de julho foi composta por 53% hidráulica, 16% eólica, 15% solar, 13% térmica e 2% nuclear, refletindo a crescente participação das fontes intermitentes.
O ONS destacou que a geração hidráulica no Sul foi inferior ao programado devido à maior geração eólica e menor carga, enquanto no Sudeste/Centro-Oeste e Norte a geração hidráulica superou o previsto, impulsionada pela maior carga e menor geração eólica no Nordeste. O intercâmbio do Nordeste e para o Norte também ficaram abaixo do programado, impactados pela menor geração eólica e maior hidráulica, respectivamente, evidenciando a dinâmica complexa da operação do sistema em cenários de alta renovável.
A proposta da ANEEL para os novos critérios de curtailment, atualmente em consulta pública, busca classificar os empreendimentos em três blocos distintos, definindo quais geram ou não encargos em caso de corte. Essa reestruturação é crucial para geradores de fontes intermitentes como eólica e solar, que podem ter sua receita impactada por restrições operacionais. A diretora Agnes da Costa tem enfatizado a necessidade de uma solução para equilibrar a segurança operacional do SIN com o impacto econômico sobre os investimentos em energias limpas.
Para o período de transição, a agência propõe um rateio provisório dos cortes, separado por fonte, a fim de mitigar o ônus excessivo sobre empreendimentos individuais. Além disso, o próprio ONS abriu em 7 de julho uma Consulta Externa para aprimorar os modelos do setor elétrico, o que pode influenciar diretamente a precificação e a modelagem dessas restrições operacionais, impactando a gestão do PLD e a necessidade de lastro no mercado livre.
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