PDE 2035 projeta R$ 3,5 trilhões em investimentos e salto da GD e baterias até 2035
O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, aprovado pelo MME, prevê investimentos de R$ 3,5 trilhões no setor energético até 2035, um aumento de 9% frente à projeção anterior, com destaque para a expansão da geração distribuída (GD) e do armazenamento por baterias. O documento, publicado em 2 de julho de 2026, também detalha a abertura do mercado livre e o fim do desconto na TUSD para novos entrantes, impactando os custos para consumidores.
O setor energético brasileiro deverá atrair investimentos da ordem de R$ 3,5 trilhões até 2035, conforme as projeções do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, aprovado em junho pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e publicado no Diário Oficial da União em 2 de julho de 2026. O montante representa um crescimento de 9% em relação aos R$ 3,2 trilhões estimados no PDE 2034, consolidando a visão de longo prazo para o período de 2026 a 2035.
A maior fatia desses recursos, cerca de R$ 2,8 trilhões (80%), será direcionada para os segmentos de petróleo e gás, enquanto as fontes renováveis deverão captar R$ 374 bilhões. O plano da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta para uma expansão robusta na capacidade instalada de geração elétrica, que deve saltar de uma faixa de 249-255 GW em 2025 para 359-367 GW em 2035, um acréscimo de aproximadamente 110 GW.
Um dos destaques do PDE 2035 é o salto ambicioso para a Geração Distribuída (GD), com a projeção de alcançar 78 GW até 2035. Esse número supera significativamente os 58,8 GW estimados no PDE 2034 e elevará a participação da GD na capacidade instalada de 16% para 21,2%. O armazenamento por baterias também recebe atenção especial, com a expectativa de incorporar cerca de 7 GW até o fim do decênio, um avanço expressivo frente aos 2,8 GW previstos no plano anterior.
Em contrapartida, a energia solar centralizada é classificada como “desvantajosa” para o sistema elétrico, principalmente devido ao excesso de geração diurna e aos desafios de curtailment. No entanto, o PDE 2035 ressalta que a integração de sistemas de armazenamento pode aumentar a competitividade dessa fonte, mitigando os gargalos de intermitência e injeção na rede.
A expansão térmica também é substancial, com a capacidade instalada de termelétricas mais que dobrando, de 20 GW (8%) para 45 GW (12%) até 2035. O plano prevê a necessidade de cerca de 19 GW de novas usinas a gás natural, sendo 11.711 MW flexíveis e 7.246 MW inflexíveis. Além disso, 3,7 GW virão de biomassa e pouco mais de 1 GW de biogás e resíduos sólidos urbanos, somados à modernização de 8.689 MW por retrofits.
Essa consolidação das termelétricas a gás natural como “componente estrutural para a segurança elétrica” reflete a crescente dependência do combustível fóssil para garantir a estabilidade do sistema.
O PDE 2035 incorpora os efeitos da Lei 15.269/2025, sancionada em novembro de 2025, que estabeleceu prazos para a abertura do Ambiente de Contratação Livre (ACL). Consumidores comerciais e industriais de baixa tensão poderão migrar em até 24 meses a partir de novembro de 2025, enquanto os consumidores residenciais terão a abertura total em até 36 meses, marcando uma reestruturação profunda no mercado de energia.
Um ponto crucial da Lei 15.269/2025 é o encerramento do desconto na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) para novos entrantes no ACL, a partir de sua publicação em novembro de 2025. Essa medida eleva os custos para esses consumidores, impactando diretamente a formação das tarifas e a competitividade do mercado livre.
Apesar da expansão térmica e da manutenção de 51% de renováveis na matriz energética total, a matriz elétrica brasileira deverá alcançar 86% de fontes limpas até 2035. As projeções do PDE 2035 também indicam um adiamento da entrada em operação da usina nuclear de Angra 3, de 2029 para 2033, sinalizando desafios na execução de projetos de grande porte e a necessidade de adaptação contínua do planejamento energético.
O documento da EPE, elaborado sob a coordenação do MME, serve como um guia estratégico para os próximos dez anos, balanceando a expansão da capacidade com a segurança do suprimento e a transição energética. A meta de reduzir em até 45% as emissões de gases-estufa do SIN até 2035, aliada à consolidação das térmicas, aponta para um cenário complexo e multifacetado, com implicações diretas para investidores, reguladores e consumidores.
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