PDE 2035 projeta R$ 3,5 trilhões em investimentos e dobra capacidade térmica a gás
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), recém-aprovado e publicado pela EPE e MME, prevê R$ 3,5 trilhões em investimentos até 2035, um salto de 9% sobre o plano anterior. O documento projeta um aumento de 110 GW na capacidade de geração elétrica, com destaque para a duplicação da capacidade termelétrica a gás natural para 45 GW e o crescimento exponencial do armazenamento por baterias para 7 GW.
O setor de energia brasileiro se prepara para receber R$ 3,5 trilhões em investimentos até 2035, conforme as projeções do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e aprovado por portaria do Ministério de Minas e Energia (MME) em junho, com publicação no Diário Oficial da União em 2 de julho. O montante representa um crescimento de 9% em relação aos R$ 3,2 trilhões previstos no PDE 2034, sinalizando uma década de forte expansão em diversas frentes.
A capacidade instalada de geração elétrica do país deve crescer em 110 GW no período, atingindo 359 GW. Um dos pontos centrais do plano é a expansão das termelétricas a gás natural, que terão um acréscimo de quase 19 GW, mais que dobrando sua capacidade instalada para 45 GW e elevando sua participação de 8% para 12% da capacidade total. Essa robusta expansão é vista como um reforço crucial para a segurança elétrica do sistema, especialmente em um cenário de crescente intermitência das fontes renováveis, mesmo com as recentes mudanças regulatórias.
A maior fatia dos investimentos, cerca de R$ 2,8 trilhões (80% do total), será direcionada para o setor de petróleo e gás, com foco no pré-sal e na Margem Equatorial. O PDE 2035 projeta que a produção de petróleo alcançará 4,9 milhões de barris por dia até 2035, um aumento de 22% sobre os níveis atuais. A demanda por gás natural deve crescer 65% e a oferta 71% nos próximos dez anos, com a demanda máxima para despacho de usinas térmicas projetada para aumentar 115,4% até 2034. O preço do Brent, referência internacional, opera hoje a US$ 85,00 o barril, enquanto o Gás Natural (Henry Hub) está em US$ 2,85/MMBtu.
No segmento de geração distribuída, o plano eleva as projeções para a micro e minigeração distribuída (MMGD) de 58,8 GW no PDE 2034 para 78 GW no PDE 2035, refletindo a dinâmica de adesão dos consumidores. Outro salto expressivo na capacidade projetada para armazenamento por baterias, cuja capacidade salta de 800 MW para 7 GW. Contudo, a EPE ressalta que a viabilidade financeira do armazenamento 'atrás do medidor' ainda é limitada para a maioria dos consumidores até 2035, indicando desafios para a massificação da tecnologia sem novas estruturas tarifárias ou redução de custos.
A infraestrutura de transmissão também demandará atenção, com a necessidade de 29 mil km de novas linhas para escoar a produção e garantir a confiabilidade do sistema. A demanda final de energia do país, por sua vez, deve crescer 1,8% ao ano até 2035, impulsionada por grandes cargas como data centers, veículos elétricos e a crescente produção de hidrogênio verde. A oferta total de energia, incluindo todas as fontes, deve acompanhar esse ritmo, com um crescimento médio de 2,3% ao ano.
O PDE 2035, principal instrumento de planejamento energético de médio prazo, incorpora os efeitos da Lei 15.269/2025, sancionada em novembro de 2025, que reformulou a Lei 14.182/2021.
Para aumentar a competitividade das termelétricas a gás conectadas à malha de gasodutos em leilões de reserva de capacidade (LRCap), o plano prevê um desconto de 15% nas tarifas de transporte de gás natural de longo prazo para contratos firmes de saída com prazo mínimo de dez anos. O 'Caderno de Parâmetros de Custos – Geração e Transmissão', parte integrante do PDE, atualiza estimativas de CAPEX, O&M e combustível, influenciando a precificação de projetos e a dinâmica do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) e lastro devido à maior intermitência das renováveis.
Apesar do forte direcionamento para o gás e as renováveis, o plano também aponta desafios. A EPE classifica a expansão da energia solar centralizada como 'desvantajosa' para o sistema elétrico devido ao excesso de geração diurna, que pode causar transtornos e exigir cortes na produção, gerando tensões com desenvolvedores e defensores da fonte. A manutenção da expansão de térmicas a gás, mesmo com a Lei 15.269/2025, pode gerar críticas de grupos ambientalistas. Além disso, a entrada em operação comercial da usina nuclear de Angra 3 foi adiada de 2029 (PDE 2034) para 2033.
Atualmente, a matriz elétrica brasileira é dominada pela hidráulica (53%), com eólica (17%) e solar (15%) em ascensão, e a térmica respondendo por 12% da geração. As projeções do PDE 2035 indicam uma continuidade da diversificação, mas com um papel estratégico e ampliado para as térmicas a gás, visando garantir a estabilidade e a segurança do suprimento em um sistema cada vez mais complexo e dependente de fontes intermitentes.
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