CT PMO/PLD abre consulta para aprimorar modelos Dessem e Newave do setor elétrico
O Comitê Técnico PMO/PLD, coordenado por CCEE e ONS, abriu consulta externa para coletar subsídios para o aprimoramento dos modelos computacionais do setor elétrico, com prazo final em 7 de agosto. A iniciativa visa refinar metodologias e parâmetros do Dessem e Newave, impactando diretamente a formação do PLD e o planejamento da operação.
O mercado de energia tem até 7 de agosto para contribuir com a Consulta Externa nº 003/2026, aberta pelo Comitê Técnico PMO/PLD, que busca aprimorar metodologias, dados de entrada e parâmetros dos modelos computacionais do setor elétrico. Coordenado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o processo é fundamental para a evolução do planejamento da operação e da formação de preços no país.
A iniciativa do CT PMO/PLD visa coletar subsídios para aprimorar ferramentas essenciais como o modelo Dessem, utilizado no planejamento de curto prazo, e o Newave, que baliza o planejamento de médio e longo prazos. O objetivo, nesta fase, não é definir regras ou limites numéricos, mas sim reunir informações que subsidiarão a priorização e a construção da agenda de trabalho do Comitê para futuras alterações.
Para o Dessem, a consulta aborda temas técnicos relevantes, como o unit commitment hidráulico (UCH), a categorização de restrições energéticas e elétricas — o chamado 'constrained-off' —, e o refinamento da modelagem de usinas em ciclo combinado, além da inclusão de sistemas de armazenamento com baterias. Essas melhorias buscam refletir com mais precisão a realidade operativa do sistema, onde o PLD no Sudeste/Centro-Oeste está fixado em R$ 136,56/MWh, conforme dados da CCEE.
Já no Newave, as discussões se concentram na metodologia de cálculo do custo de déficit e na otimização do horizonte de planejamento, pontos que impactam diretamente a sinalização de investimentos e a alocação de recursos. Além disso, o comitê busca diretrizes para a calibração do Conditional Value at Risk (CVar) e premissas mais robustas para a Energia Natural Afluente (ENA).
A relevância do CT PMO/PLD foi ampliada pela Resolução Normativa ANEEL nº 1.144/2025, que alterou a RN ANEEL nº 1.032/2022, conferindo ao Comitê um papel mais estratégico na definição de diretrizes para a coerência e integração dos processos de formação do preço de curto prazo e planejamento da operação eletroenergética. Este processo não é isolado; o Comitê já realizou a Consulta Externa nº 001/2026, que tratou da calibração do CVar, demonstrando um esforço contínuo de aprimoramento.
O aprimoramento dos modelos computacionais é uma pauta constante no setor elétrico, pois busca promover sinais de preço mais eficientes, o que pode levar à redução de encargos setoriais e beneficiar o consumidor final. As alterações impactam diretamente o Programa Mensal da Operação Energética (PMO) e o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referências cruciais para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) e o Regulado (ACR).
Embora a Consulta Externa nº 003/2026 não apresente impactos quantificados de imediato, simulações de consultas anteriores, como a do CVar, já indicaram efeitos marginais na geração térmica, no armazenamento e no próprio PLD. A calibração de modelos e a definição de parâmetros geram debates intensos entre geradores, comercializadores e consumidores, cada qual defendendo suas perspectivas para otimizar resultados ou garantir maior estabilidade e previsibilidade no mercado.
Os agentes setoriais e demais interessados devem acessar o site do CT PMO/PLD para enviar suas sugestões por meio dos formulários digitais. Após o encerramento do prazo, todas as manifestações serão publicadas, analisadas e encaminhadas à Comissão Deliberativa do Comitê, que terá a responsabilidade de definir as prioridades para a evolução dos modelos, sob a supervisão regulatória da ANEEL.
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