ONS, CCEE e EPE elevam previsão de carga do SIN até 2030, puxada por datacenters
A segunda revisão quadrimestral das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) aponta para um crescimento médio anual de 4,5% entre 2026 e 2030, impulsionado pela expansão de datacenters e Micro e Minigeração Distribuída (MMGD). A projeção global para 2030 alcança 101.947 MW médios, 1,9% acima da revisão anterior.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em conjunto com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), divulgou a segunda revisão quadrimestral das previsões de carga para o planejamento da operação entre 2026 e 2030. O estudo projeta um crescimento médio anual de 4,5% no Sistema Interligado Nacional (SIN) no período, com a carga global esperada para 2026 em 84.989 MW médios e atingindo 101.947 MW médios em 2030.
Este novo cenário representa um aumento de 1,9%, ou 1.735 MW médios a mais anualmente, em comparação com a primeira revisão quadrimestral. Os principais vetores para essa elevação são a expansão de datacenters, que devem adicionar 315 MW médios em 2026 e chegar a 5.653 MW médios em 2030, e o avanço da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), com capacidade instalada acumulada prevista de 11,2 GW médios em 2030 e crescimento médio anual de 9,6%. Embora a MMGD atue na ponta, reduzindo a necessidade de suprimento direto do SIN, sua rápida expansão é um componente relevante na dinâmica da demanda total de energia.
As projeções de carga são insumos técnicos cruciais para o planejamento da operação e expansão do setor elétrico, servindo de base para decisões de investimento e estratégias de contratação. O crescimento robusto da demanda, especialmente a de base e com alto fator de carga dos datacenters, tende a pressionar a necessidade de lastro e garantia física no médio e longo prazos. Isso pode se refletir em preços mais firmes na curva forward de energia, exigindo estratégias de contratação mais ativas dos agentes do Mercado Livre (ACL) e sinalizando a necessidade de novos leilões de expansão de capacidade.
As premissas macroeconômicas que embasam a previsão de carga também foram ajustadas, refletindo tensões globais e domésticas. A estimativa de crescimento do PIB para 2027 foi revisada para baixo, de 2,4% para 2,0%, devido à desaceleração do ciclo de cortes de juros e ao conflito no Oriente Médio. Para 2026, a previsão do PIB foi ligeiramente ajustada de 2,0% para 2,1%, enquanto para o horizonte de 2028 a 2030, as projeções de crescimento foram mantidas. Os resultados da revisão foram detalhados em notas técnicas conjuntas, como a “Nota Técnica EPE-DEA-SEE-013/2026”, seguindo os Procedimentos de Rede do ONS.
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