ONS eleva ENA do Sul para 155% da MLT em julho e mantém CMO zerado
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ajustou a projeção de Energia Natural Afluente (ENA) para a região Sul em julho para 155% da Média de Longo Termo (MLT), o maior percentual do Sistema Interligado Nacional (SIN), indicando um cenário de abundância hídrica. Essa condição robusta mantém o Custo Marginal de Operação (CMO) zerado nos principais subsistemas, pressionando o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) para o piso regulatório.
A projeção de Energia Natural Afluente (ENA) para o subsistema Sul foi revisada para 155% da Média de Longo Termo (MLT) no fechamento de julho de 2026, conforme o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O novo patamar representa uma elevação de 4 pontos percentuais em relação à estimativa da semana anterior, que era de 151%, consolidando a região como a de maior afluência do Sistema Interligado Nacional (SIN) e reforçando o cenário hídrico favorável.
A abundância de recursos hídricos no Sul tem um impacto direto na operação do sistema. O Custo Marginal de Operação (CMO) está zerado nos subsistemas Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, refletindo a menor necessidade de despacho de usinas termelétricas e a priorização da geração hidrelétrica. Esse cenário de baixo custo marginal tende a manter o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) em patamares mínimos, atualmente no piso regulatório de R$ 57,31/MWh para essas regiões.
A Energia Armazenada (EAR) para o fim de julho no Sul é projetada em 86,9%, nível elevado que contribui para a segurança do suprimento. Em comparação, o Sudeste/Centro-Oeste deve fechar o mês com 65,6% da EAR, o Nordeste com 83,6% e o Norte com 94,3%. A ENA do Sudeste/Centro-Oeste está em 97% da MLT, enquanto Norte e Nordeste projetam 64% e 62%, respectivamente, o que evidencia a concentração de afluências no Sul.
Esse ambiente de preços de curto prazo baixos beneficia diretamente os consumidores do Ambiente de Contratação Livre (ACL), que acessam energia com custos mais competitivos. Além disso, a menor necessidade de acionamento térmico reduz os custos de Geração de Energia de Segurança (ESS) e Energia de Reserva (ESS-RE), aliviando a pressão sobre os encargos setoriais e, consequentemente, sobre as tarifas de energia no longo prazo.
Para os agentes de geração hidrelétrica no Sul, a maior disponibilidade de água representa uma oportunidade para otimizar o despacho e maximizar a produção. Por outro lado, o cenário de PLD baixo gera tensões para geradores térmicos, que veem seu despacho reduzido ou postergado, impactando a rentabilidade de seus contratos. Empresas com portfólios expostos a preços mais altos no mercado de curto prazo também enfrentam desafios na gestão de seus balanços energéticos.
As projeções do ONS, divulgadas por meio do Programa Mensal da Operação (PMO) e do Informe do Programa Mensal de Operação (IPDO), são dados operacionais essenciais para o planejamento e acompanhamento do SIN. Não constituem normas regulatórias, mas fornecem insumos essenciais para todos os agentes do setor e para o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) na avaliação da segurança do suprimento.
A carga de energia no SIN deve aumentar 1,7% em relação a julho de 2025, com crescimentos mais expressivos no Nordeste (+6,8%) e Norte (+6,2%). Em contraste, o Sul projeta um recuo de 1,2% na carga. Essa combinação, com a alta afluência, reforça a condição de excedente hídrico na região e a capacidade de exportação de energia para outros subsistemas.
A volatilidade hidrometeorológica do país é constante, e a elevação da ENA do Sul de 151% para 155% em apenas uma semana destaca a importância do acompanhamento contínuo dessas projeções. O cenário atual contrasta com períodos recentes de escassez hídrica, que demandaram acionamento intensivo de termelétricas e geraram preocupações com os níveis dos reservatórios, evidenciando a rápida reversão de condições no sistema elétrico brasileiro.
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