Perfuração científica na Margem Equatorial é suspensa por falta de financiamento de US$ 15 milhões
Um projeto crucial de pesquisa oceanográfica na Margem Equatorial, que visava investigar mudanças climáticas do Atlântico ao longo de 80 milhões de anos, foi suspenso por tempo indeterminado. A paralisação ocorre pela ausência de US$ 15 milhões em financiamento brasileiro, impedindo a participação do país em expedições internacionais e a geração de conhecimento científico fundamental sobre a região.
A pesquisa oceanográfica "Paleoceanography of the Brazilian Equatorial Margin (PBEM-945)", um projeto de alta relevância científica liderado pelo professor Luigi Jovane, do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, foi suspensa por tempo indeterminado. A interrupção, noticiada pelo Jornal da USP, ocorre devido à falta de financiamento brasileiro, impedindo a participação do país em expedições internacionais do International Ocean Discovery Program (IODP).
O projeto, aprovado com avaliação de excelência pelo Scientific Evaluation Panel (SEP) do IODP em abril de 2019, objetivava investigar as mudanças climáticas do Atlântico Equatorial ao longo de 80 milhões de anos. Para isso, previa a perfuração de sedimentos em águas profundas entre as bacias do Ceará e Potiguar, uma região estratégica para o entendimento geológico e climático global.
O entrave específico para a continuidade do PBEM-945 foi a ausência de uma contraparte brasileira no financiamento, estimada em cerca de US$ 15 milhões. O montante cobriria a participação do Brasil nas quatro expedições previstas, originalmente programadas para ocorrer entre 2022 e 2024, mas que não foram realizadas por ausência de recursos.
A suspensão significa uma perda considerável para a ciência nacional. O Brasil perde a oportunidade de liderar a primeira expedição 100% brasileira no IODP, um programa internacional que reúne cientistas de diversos países, e de gerar dados primários e independentes sobre uma área de crescente interesse, especialmente em meio aos debates sobre a exploração de hidrocarbonetos.
Essa paralisação contrasta com o avanço da exploração comercial de petróleo e gás na mesma Margem Equatorial. Enquanto a pesquisa científica de longo prazo, crucial para o entendimento climático e geológico, não encontra US$ 15 milhões, a Petrobras segue em suas atividades exploratórias na região, após obter licença ambiental.
A disparidade de prioridades de investimento fica clara: um projeto de pesquisa fundamental para a compreensão das mudanças climáticas e da geologia da margem brasileira, com alto valor estratégico para a soberania do conhecimento, permanece sem financiamento. Ao mesmo tempo, a exploração de combustíveis fósseis na mesma área atrai vultosos investimentos, sem que dados científicos independentes e aprofundados estejam disponíveis para embasar discussões ambientais e estratégicas.
Os principais afetados são os pesquisadores e as instituições científicas envolvidas, como o Professor Luigi Jovane (IO/USP) e a comunidade científica internacional. A interrupção adia significativamente a contribuição brasileira para o entendimento global das mudanças climáticas no Atlântico tropical, privando o país de dados de alta qualidade para análises futuras.
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