Petrobras antecipa produção em Búzios e ANP media acesso a gás do pré-sal
A Petrobras antecipou a produção de um novo poço no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, adicionando 180 mil barris de óleo e 7,2 milhões de m³ de gás natural por dia à oferta nacional. Em paralelo, a ANP aprovou a mediação de uma controvérsia de quatro anos entre a PPSA e a Petrobras sobre o acesso à infraestrutura de escoamento de gás, buscando destravar o mercado e promover a concorrência.
A Petrobras informou o início da produção de petróleo e gás natural em um novo poço no campo de Búzios, pré-sal da Bacia de Santos, antecipando a operação da plataforma P-79 em 1º de maio de 2026. Esta é a oitava unidade a operar no campo, com capacidade de 180 mil barris de óleo e 7,2 milhões de m³ de gás natural por dia, elevando a capacidade instalada de Búzios para aproximadamente 1,33 milhão de barris de petróleo diários e consolidando sua posição como um dos maiores produtores do país.
A entrada em operação da P-79 é estratégica também para o mercado de gás natural, pois viabiliza a exportação de gás para o continente via gasoduto Rota 3, com potencial de expandir a oferta nacional em até 3 milhões de m³ por dia. Esse volume adicional, uma vez escoado, pode influenciar a dinâmica de suprimento e preços no mercado brasileiro, beneficiando a Petrobras e o Consórcio de Búzios (CNOOC, CNODC e PPSA) com a ampliação da capacidade produtiva.
Em um movimento complementar, a diretoria da ANP aprovou em 10 de julho de 2026 a mediação de controvérsias entre a PPSA e a Petrobras sobre o acesso a gasodutos de escoamento e instalações de tratamento de gás do pré-sal. A decisão visa garantir o direito de acesso negociado e não discriminatório, conforme a Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021), e será operacionalizada por uma Comissão Especial criada com base na Portaria Técnica ANP nº 254/2001.
A mediação da ANP busca resolver um impasse que se arrasta há cerca de quatro anos, excedendo o prazo de 180 dias previsto pelo CNPE para negociações de acesso. O cerne da tensão reside no controle da Petrobras sobre aproximadamente 80% da infraestrutura essencial de escoamento e processamento de gás, o que tem dificultado a efetiva abertura do mercado e a monetização do gás da União, representado pela PPSA.
Para a PPSA, que busca acesso à infraestrutura para comercializar o gás da União, a mediação é um passo fundamental. A Petrobras, por sua vez, como principal proprietária da infraestrutura, enfrentará a necessidade de negociar o acesso sob supervisão regulatória, o que pode alterar sua posição dominante na monetização do gás. Outros agentes do mercado, como produtores, comercializadores e consumidores, também são afetados, pois a medida visa ampliar a concorrência.
A importância da intervenção regulatória é reforçada pela discrepância entre o custo de produção do gás no pré-sal e o preço de mercado. Um estudo da EPE de 2025 apontava um custo na boca do poço de US$ 3,5/MMBTU, enquanto o custo cobrado pela Petrobras via netback era de US$ 8,5/MMBTU. A resolução do impasse, combinada com o aumento da oferta da P-79, pode contribuir para a moderação dos preços no mercado brasileiro de gás, onde o gás natural está hoje cotado a US$ 2,90/MMBtu e o Brent a US$ 79,26.
A intervenção da ANP, embora tardia diante do prolongamento das negociações, busca mitigar o risco de que a nova oferta de gás do pré-sal não consiga chegar ao mercado de forma competitiva. A efetividade da Comissão Especial em destravar o mercado e a real materialização da expansão da oferta de gás no continente, bem como seu impacto nos preços e na competitividade para a indústria e o setor elétrico, serão indicadores-chave para o mercado.
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