Produtores de biodiesel intensificam campanha por B17 em meio a choque do diesel e vedação de importação
A campanha de produtores nacionais de biodiesel para elevar a mistura obrigatória para 17% (B17) ganha força, impulsionada pela volatilidade do diesel e por novas regras que buscam preservar o mercado doméstico. Enquanto o B15 está em vigor, o governo avalia o avanço para B16, mas enfrenta a cautela da indústria automotiva e a necessidade de testes técnicos.
Produtores de biodiesel intensificam a campanha por uma mistura obrigatória de 17% (B17) no diesel, impulsionados pela volatilidade do mercado de combustíveis e por recentes medidas regulatórias que buscam preservar a produção nacional. Este movimento ocorre em um cenário que contribui para o encarecimento do diesel e reaquece o debate sobre a redução da dependência externa.
A base para essa pressão é a "Lei do Combustível do Futuro", que prevê a elevação gradual dos teores de biocombustíveis na matriz energética. Desde 1º de agosto de 2026, a Resolução CNPE nº 12/2026 veda o uso de biodiesel importado na mistura obrigatória, direcionando a demanda exclusivamente para usinas nacionais. Além disso, a Resolução CNPE nº 5/2026, alterada pela Resolução CNPE nº 12/2026, exige 80% de Selo Biocombustível Social (SBS) para o percentual obrigatório, fortalecendo ainda mais a produção doméstica e a cadeia produtiva do óleo de soja, principal matéria-prima.
Enquanto os produtores defendem o B17, o MME e o Instituto Mauá de Tecnologia conduzem testes para avaliar misturas de B16 a B25, com a primeira fase (B15 a B20) prevista para fevereiro de 2027. O governo almeja aprovar o B16 até o final de 2026, embora integrantes do próprio governo indiquem que a decisão pode ser postergada para 2027. Fabricantes de veículos, como a Anfavea, reforçam a necessidade de conclusão desses testes para garantir a segurança operacional e a viabilidade mecânica da frota nacional antes de qualquer elevação do percentual obrigatório.
O avanço da mistura visa reduzir a dependência do Brasil por diesel importado, que hoje representa cerca de 22% do consumo, com potencial de economia de R$ 60 bilhões anuais em importações. A demanda por biodiesel deve crescer 6,3% em 2026, para 10,5 bilhões de litros, considerando o B15 integral, e pode chegar a 11 bilhões de litros com B16. Paralelamente, a simplificação regulatória da ANP para o uso voluntário de misturas superiores ao B15, que agora exige apenas comunicação formal, abre novas frentes para o biocombustível em setores como o transporte ferroviário e a navegação.
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