SolarPower Europe projeta forte crescimento global da fotovoltaica até 2030
A SolarPower Europe, principal associação do setor fotovoltaico, divulgou seu relatório 'Global Solar Market Outlook 2026-2030', que projeta uma expansão robusta da energia solar global nos próximos anos. O estudo, considerado referência no mercado, detalha as tendências que consolidam a tecnologia como a principal fonte de nova capacidade de geração elétrica, impulsionada por recordes de instalação e custos decrescentes.
A SolarPower Europe, principal associação do setor fotovoltaico na Europa, publicou seu relatório anual 'Global Solar Market Outlook 2026-2030', que indica uma trajetória de forte crescimento para a energia solar em escala global nos próximos anos. O documento, amplamente aguardado pelo setor, analisa o desenvolvimento tecnológico e as tendências de mercado que a consolidam como um pilar da transição energética.
O levantamento é divulgado após um ano recorde em 2023, quando a capacidade solar fotovoltaica adicionada mundialmente superou 400 gigawatts (GW), elevando o total acumulado para mais de 1,6 terawatts (TW), ou 1.600 GW. Esse ritmo acelerado reflete uma década de expansão exponencial, partindo de cerca de 40 GW em 2010, impulsionado por avanços tecnológicos e políticas de incentivo que derrubaram os custos de geração.
As projeções da SolarPower Europe para o período de 2026 a 2030 confirmam a expectativa de que a solar fotovoltaica continuará a representar a maior fatia da nova capacidade de geração de energia global. O custo nivelado da energia (LCOE) solar, que caiu mais de 80% na última década, posiciona a tecnologia como uma das opções mais competitivas para a produção de eletricidade em diversas regiões do mundo, atraindo investimentos anuais na ordem de centenas de bilhões de dólares.
A relevância do relatório é reforçada pela posição da SolarPower Europe, que representa mais de 280 organizações da cadeia de valor solar. Além dela, outras entidades como a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) também monitoram e projetam o avanço da solar. A China desponta como líder global na fabricação e instalação, enquanto a União Europeia (UE) e os Estados Unidos se destacam como mercados consumidores e formuladores de políticas.
Esse cenário de expansão é consolidado por marcos regulatórios e acordos internacionais. O Acordo de Paris de 2015, com suas metas de descarbonização, indiretamente impulsiona o setor solar. Mais diretamente, o European Green Deal da UE e a Inflation Reduction Act (IRA), nos EUA, oferecem subsídios e incentivos fiscais substanciais. No Brasil, a Lei 14.300/2022, que estabelece o marco legal da Geração Distribuída, também fomenta o setor fotovoltaico nacional.
O crescimento projetado da energia solar terá um impacto transformador na transição energética global, acelerando a descarbonização e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Espera-se que contribua significativamente para a estabilização dos preços da energia a longo prazo e para a criação de milhões de empregos verdes em todo o mundo.
Contudo, a integração massiva da capacidade solar também impõe desafios consideráveis à infraestrutura de rede. A intermitência da geração fotovoltaica exige investimentos robustos em flexibilidade, na modernização das redes elétricas e em sistemas de armazenamento de energia, como baterias, para garantir a estabilidade e a segurança do suprimento.
Nos próximos anos, espera-se um foco intensificado na integração da energia solar com soluções de armazenamento, bem como na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Células solares de perovskita e painéis bifaciais, por exemplo, prometem maior eficiência e redução contínua de custos, enquanto leilões de energia e mecanismos de precificação de carbono continuarão a moldar o ambiente de investimento.
A trajetória da energia solar tem superado a de outras fontes renováveis e até mesmo a de combustíveis fósseis nas últimas décadas, demonstrando maior escalabilidade e uma redução de custos mais rápida em comparação com a energia eólica em muitos mercados emergentes. Experiências como a 'Energiewende' alemã e a massiva capacidade instalada e de fabricação da China servem como exemplos de como políticas de longo prazo podem reconfigurar a matriz energética de um país.
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