Aeris reporta prejuízo de R$ 152 milhões no 2T26 e avança em reestruturação de dívida
A Aeris Energy registrou prejuízo líquido de R$ 152,04 milhões no segundo trimestre de 2026, conforme balanço. A fabricante de pás eólicas concluiu a renegociação de 90% de seu endividamento em maio de 2025, alongando prazos e obtendo carência, em um esforço para aliviar a pressão de liquidez e garantir a continuidade operacional.
A Aeris Energy registrou prejuízo líquido de R$ 152,04 milhões no segundo trimestre de 2026, uma melhora de 4,8% em relação ao 2T25, conforme balanço divulgado pela companhia. A receita operacional líquida da fabricante de pás eólicas atingiu R$ 129,26 milhões no trimestre, com queda de 46,6% ante o 2T25, mas com crescimento de 22,4% ante o 1T26, impulsionada por exportações que responderam por quase 71% do faturamento.
Os resultados foram divulgados em meio a um processo de reestruturação de capital que incluiu a renegociação de aproximadamente 90% do endividamento da Aeris, concluída em maio de 2025. A operação alongou prazos de vencimento e concedeu carência para juros e amortização do principal até dezembro de 2027, com vencimento final em março de 2030. A Fitch Ratings classificou a renegociação como uma "troca de dívida em situação crítica" (DDE) em maio de 2025, refletindo a delicada posição financeira da empresa, que encerrou o 2T26 com dívida líquida de R$ 1,94 bilhão e patrimônio líquido consolidado negativo em R$ 989 milhões. O próximo vencimento relevante é de R$ 93 milhões com o BNDES, em agosto de 2026.
A Aeris foca agora na melhoria da eficiência operacional e na reativação de quatro linhas de produção, iniciada no final do 2T26 com expectativa de plena operação no 3T26. A empresa possui um pipeline de 2,0 GW para fornecimento de pás em 2026 e 2027, com 500 MW adicionais em negociações. Para o setor de energia eólica, a manutenção de um fornecedor doméstico como a Aeris é crucial para a cadeia de suprimentos, pois mitiga riscos de dependência externa e garante a oferta de equipamentos para novos projetos. Contudo, a fragilidade financeira da companhia ainda representa um risco para a previsibilidade e o custo de equipamentos no médio e longo prazo.
A administração da Aeris também destaca que o "dia do perdão" da ANEEL, medida regulatória que permite a desenvolvedores devolver concessões de transmissão inviáveis sem multas, pode liberar capacidade na rede para novos empreendimentos eólicos, potencialmente beneficiando a demanda futura por pás. A capacidade da empresa de reverter os prejuízos e gerar caixa suficiente para honrar as futuras amortizações, especialmente o vencimento com o BNDES, será determinante para sua sustentabilidade.
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