Artigo da FGV propõe reavaliar solar concentrada por estabilidade da rede
Um artigo da Fundação Getulio Vargas (FGV) destaca a energia solar concentrada (CSP) como essencial para a estabilidade da rede elétrica, devido à sua capacidade de geração síncrona e inércia mecânica. A análise sugere que, doze anos após projetos de CSP serem preteridos, a tecnologia merece um "segundo olhar" diante dos desafios de flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A capacidade da energia solar concentrada (CSP) de oferecer estabilidade e despachabilidade à rede elétrica, atributos que a diferenciam da fotovoltaica (PV), deve ser reavaliada pelo setor. É o que aponta um artigo publicado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira (20/08), que defende uma mudança conceitual na valoração da CSP, destacando-a não apenas como fonte de energia, mas como garantidora da segurança operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN).
O estudo ressalta que o SIN enfrenta problemas crescentes de flexibilidade, com a nova capacidade de geração vindo majoritariamente de fontes variáveis. O artigo da FGV aponta que 90% dessa nova capacidade provém de fontes variáveis, uma proporção que, segundo dados do ONS para o período 2026-2030, é de aproximadamente 69% para fontes eólica, solar e MMGD. Essa dinâmica leva o Operador Nacional do Sistema (ONS) a realizar cortes de usinas renováveis. A CSP, por sua vez, opera com turbinas a vapor que entregam geração síncrona e inércia mecânica, além de poder gerar energia durante a noite por meio de armazenamento térmico em sal derretido, mitigando a alta volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que hoje oscila do piso ao teto em poucas horas.
A publicação da FGV, que se alinha a um estudo de viabilidade para uma planta piloto de CSP no Piauí lançado em junho, sugere que reguladores como a ANEEL, formuladores de políticas públicas, o próprio ONS e investidores deveriam considerar mecanismos de incentivo que valorizem esses atributos de estabilidade e despachabilidade. Em 2014, projetos de CSP venceram um leilão de energia no Brasil, mas foram posteriormente substituídos por arranjos fotovoltaicos, uma decisão que o artigo agora propõe revisar.
A discussão sobre a inércia e a geração síncrona da CSP expõe uma lacuna no marco regulatório brasileiro para a valoração de serviços ancilares e atributos de rede. A não remuneração adequada dessas características pode exacerbar os desafios operacionais do SIN, aumentando a frequência de curtailment de fontes renováveis e a necessidade de despacho de termelétricas mais caras para garantir a segurança do sistema, impactando os encargos e a volatilidade do PLD, que no Sudeste/Centro-Oeste está em R$ 127,1/MWh.
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