Be8 desenvolve diesel verde com redução de 99% nas emissões de CO2
A multinacional brasileira Be8 anunciou o desenvolvimento de um novo biocombustível que promete reduzir em até 99% as emissões de dióxido de carbono no ciclo tanque-à-roda, posicionando a empresa na vanguarda da transição energética. O produto, um tipo de diesel verde (HVO), representa um avanço tecnológico significativo em relação ao biodiesel convencional e pode acelerar a descarbonização do setor de transportes no país.
A Be8, uma das maiores produtoras de biocombustíveis do Brasil, desenvolveu um diesel verde (HVO) capaz de reduzir em até 99% as emissões de CO₂ no ciclo tanque-à-roda, que abrange desde a produção até o consumo final do combustível. Essa inovação coloca a empresa em posição de destaque na busca por alternativas mais limpas ao diesel fóssil, especialmente para frotas pesadas e agrícolas.
Conhecido como HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), esse biocombustível avançado é quimicamente idêntico ao diesel de petróleo, o que o diferencia do biodiesel convencional (FAME – Fatty Acid Methyl Esters). Sua natureza de "drop-in fuel" permite o uso em motores diesel existentes sem modificações, superando as limitações de mistura do FAME, que possui restrições regulatórias para sua aplicação em veículos.
A busca por biocombustíveis de segunda geração, como o HVO, intensificou-se no Brasil com a implementação do programa RenovaBio em 2017. A política, instituída pela Lei nº 13.576/2017, estabeleceu metas de descarbonização para a matriz de combustíveis, incentivando a produção de combustíveis com menor intensidade de carbono por meio dos Créditos de Descarbonização (CBIOs). Um biocombustível com a capacidade de redução de CO₂ como o da Be8 geraria um volume significativamente maior de CBIOs por metro cúbico, agregando valor e estimulando novos investimentos.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tem um papel fundamental nesse cenário, sendo responsável pela certificação da qualidade e da produção de novos combustíveis. Enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) define as políticas e metas para o setor, a ANP precisará criar uma regulamentação específica para o diesel verde (HVO). Isso permitirá sua plena comercialização e mistura no mercado nacional, complementando as especificações já existentes para o diesel A e o biodiesel.
O potencial de impacto é considerável, visto que o Brasil consumiu cerca de 60 bilhões de litros de diesel em 2023, com uma mistura obrigatória de biodiesel atualmente em 14% (B14). A introdução de um biocombustível com tamanha redução de emissões pode acelerar a descarbonização do setor de transportes, onde a eletrificação ainda enfrenta desafios significativos, especialmente em veículos de carga e máquinas agrícolas.
Embora o custo inicial do HVO possa ser superior ao do diesel fóssil, o valor gerado pelos CBIOs e a crescente demanda por soluções de baixo carbono podem compensar essa diferença. Tal cenário pode influenciar a competitividade de indústrias que buscam reduzir suas pegadas de carbono e abrir novas oportunidades de investimento em biorrefinarias avançadas no país.
A Be8 já anunciou seus próximos passos, com a construção de uma biorrefinaria em Passo Fundo (RS), prevista para iniciar operação em 2026. A unidade terá capacidade para produzir tanto HVO quanto SAF (Sustainable Aviation Fuel), indicando a intenção da empresa de escalar a produção industrial de biocombustíveis avançados e atender não apenas ao mercado rodoviário, mas também ao setor de aviação.
A experiência internacional corrobora o potencial do HVO. Países da Europa e os Estados Unidos, notadamente a Califórnia com seu programa Low Carbon Fuel Standard (LCFS), já utilizam e incentivam fortemente o diesel verde. Essa aceitação global, aliada à característica de "drop-in fuel" do HVO, reforça a relevância da tecnologia desenvolvida pela Be8 para o mercado brasileiro e para o posicionamento do país na agenda global de descarbonização.
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