Brasil consolida liderança global em transição energética, aponta IRENA
Um levantamento recente da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) reafirma o Brasil como líder entre as maiores economias mundiais com matriz energética predominantemente renovável, posição impulsionada por uma longa trajetória de investimentos em fontes limpas. O reconhecimento internacional pode catalisar novos fluxos de investimento e fortalecer a influência do país em discussões climáticas globais, apesar dos desafios estruturais persistentes.
O Brasil reforça seu protagonismo na transição energética global, consolidando a liderança entre as maiores economias com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, conforme destacado em um levantamento da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA). A análise da agência intergovernamental sublinha o status quo do país, que há décadas mantém um perfil de geração de energia limpa, agora com forte diversificação para além da hidrelétrica.
O relatório da IRENA constitui uma análise de cenário e um reconhecimento da posição brasileira, e não um instrumento normativo com poder de estabelecer novas regras ou travas regulatórias. As mudanças efetivas no arcabouço legal do setor elétrico brasileiro continuam a ser prerrogativa de órgãos como o Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A trajetória de liderança do Brasil é alicerçada em uma matriz elétrica que, historicamente, depende da fonte hidrelétrica, mas que nas últimas duas décadas viu uma expansão significativa de eólica e solar. Atualmente, a geração hidráulica responde por cerca de 60% da carga. A contribuição crescente de eólica e solar tem diversificado esse mix, posicionando o país muito acima da média global em participação de fontes limpas.
O país se destaca globalmente por ter mais de 80% de sua matriz elétrica proveniente de fontes renováveis, um patamar significativamente superior à média mundial. Essa predominância é resultado de um arcabouço regulatório robusto que incentiva a expansão das energias limpas, com destaque para os leilões de energia e os programas de incentivo à geração distribuída e centralizada, elementos que refletem a eficácia de políticas como a Lei nº 9.478/1997.
Em comparação com outras grandes economias, o Brasil mantém uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo. Enquanto nações do G20 ainda dependem fortemente de combustíveis fósseis para suprir suas demandas, a alta participação de hidrelétricas, eólicas e solares posiciona o Brasil à frente no processo de descarbonização do setor elétrico, um contraste frequentemente apontado pela IRENA em suas análises comparativas.
O reconhecimento pela IRENA tem implicações práticas relevantes para o mercado. Ele pode fortalecer a atração de investimentos estrangeiros diretos para projetos de energia renovável e tecnologias associadas, como o hidrogênio verde e os biocombustíveis avançados. Adicionalmente, legitima a posição do Brasil em negociações climáticas internacionais, endossando suas metas de descarbonização e seu papel como um player estratégico na agenda global de transição energética.
Contudo, o protagonismo não isenta o país de desafios. Há uma demanda crescente por investimentos robustos em infraestrutura de transmissão, essencial para escoar a energia gerada em regiões de alto potencial renovável, como o Nordeste, para os grandes centros de consumo. A estabilidade da rede, com a crescente intermitência de fontes como a solar e eólica, também é um ponto de atenção, exigindo mecanismos de financiamento e operação que garantam a segurança do suprimento a longo prazo.
Para manter e ampliar essa liderança, o Brasil direciona esforços para novas fronteiras da transição energética. O desenvolvimento do hidrogênio verde é uma pauta prioritária, com propostas de marcos legais e projetos-piloto em andamento. A expansão dos biocombustíveis avançados e a criação de um mercado de carbono regulado também figuram como estratégias-chave para diversificar ainda mais a matriz e capitalizar os ativos ambientais brasileiros no cenário global.
Tags
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.