IEA alerta para desafios da transição energética em economias em desenvolvimento
A Agência Internacional de Energia (IEA) publicou relatórios que apontam desafios crescentes na transição energética global, com destaque para o impacto em economias em desenvolvimento, como o Brasil, e a necessidade urgente de investimentos em flexibilidade e infraestrutura de rede para integrar fontes renováveis e garantir o acesso à energia.
A Agência Internacional de Energia (IEA) emitiu uma série de alertas sobre os obstáculos que a transição energética global enfrenta, com foco particular nas economias em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Os relatórios, como o Tracking SDG7: The Energy Progress Report 2026 e o Global Energy Review 2026, projetam que a flexibilidade operacional dos sistemas elétricos será indispensável para sustentar o crescimento da demanda e a transformação da matriz energética nesta década, exigindo investimentos significativos na expansão das redes de transmissão e distribuição, além de sistemas de armazenamento de energia.
O progresso global rumo ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (acesso universal a energia sustentável até 2030) continua insuficiente, com cerca de 655 milhões de pessoas sem acesso à eletricidade em 2024, predominantemente em zonas rurais de países em desenvolvimento, conforme o Tracking SDG7. Paralelamente, o Global Energy Review 2026 da IEA aponta um rápido crescimento nas emissões em economias de mercado emergentes e em desenvolvimento em 2025, contrastando com a reversão da tendência de declínio observada em economias avançadas e indicando uma divergência preocupante nos esforços globais de descarbonização.
Para o Brasil, a IEA e análises especializadas indicam que, apesar de uma matriz elétrica majoritariamente renovável, o país enfrenta o aumento do 'curtailment' – o corte programado de geração renovável. Este fenômeno é atribuído a limitações na infraestrutura de transmissão, na operação do sistema e na falta de mecanismos de armazenamento em escala, impactando a eficiência e a segurança do suprimento. Globalmente, a persistente dependência de combustíveis fósseis, as tensões geopolíticas e as limitações no fornecimento de minerais críticos para tecnologias limpas representam riscos adicionais à segurança energética e à velocidade da transição.
A IEA sugere que governos e reguladores são os principais atores a formular e implementar políticas que promovam a flexibilidade da rede e incentivem o investimento em armazenamento e transmissão. As metas da COP 28, como triplicar renováveis e dobrar a eficiência energética até 2030, podem servir como um guia para a transição, mas a inação pode levar a custos mais altos, insegurança energética e falha em cumprir compromissos climáticos.
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