Brasil evita US$ 32,4 bilhões em gastos com fósseis em 2025, aponta IRENA
O Brasil foi o terceiro país que mais reduziu gastos com combustíveis fósseis em 2025, evitando US$ 32,4 bilhões em despesas, segundo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (2/7), destaca a performance do país impulsionada pela crescente participação de fontes renováveis na matriz energética e investimentos em descarbonização.
O Brasil evitou um gasto estimado em US$ 32,4 bilhões com combustíveis fósseis em 2025, posicionando-se como o terceiro país que mais reduziu essa despesa globalmente. O dado, divulgado nesta quinta-feira (2/7) pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), sublinha a crescente preponderância das fontes limpas na matriz energética nacional e o impacto direto na segurança energética e na balança comercial do país.
A infraestrutura renovável brasileira, que também impediu a emissão de cerca de 432 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) no mesmo período, reflete uma política energética consistente e investimentos direcionados à descarbonização da economia, conforme destacou o Ministério de Minas e Energia (MME).
Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o reconhecimento da IRENA valida as políticas de transição energética do governo, demonstrando a capacidade do Brasil de conciliar segurança energética, competitividade e sustentabilidade. O MME tem priorizado a expansão da geração renovável, o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis e a atração de investimentos para o setor, visando a descarbonização da economia.
Os esforços da política energética brasileira são corroborados pelos dados do Balanço Energético Nacional (BEN) 2026. A geração solar fotovoltaica registrou um acréscimo de 17,5 TWh, apresentando o maior crescimento na participação na geração, com 24,7%. A geração eólica, por sua vez, aumentou 8,8 TWh, consolidando a expansão dessas fontes intermitentes na matriz.
No setor de transportes, a bioenergia manteve seu protagonismo, com crescimento de 8,2% no consumo de biodiesel e 4,3% no de etanol, elevando a renovabilidade do segmento para 26,1%. A indústria brasileira também se destaca, mantendo uma renovabilidade em torno de 65,1%, impulsionada pela crescente eletrificação e pelo uso de fontes limpas em seus processos.
A competitividade das fontes renováveis brasileiras é um fator-chave nesse cenário. O país se mantém entre os mercados mais atrativos para a geração eólica onshore. Esses indicadores atestam a eficiência e a maturidade da infraestrutura energética nacional.
Em um movimento estratégico de modernização e para garantir a flexibilidade e segurança da rede, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035 já incorpora os sistemas de armazenamento em baterias (BESS) como uma opção padrão de portfólio. Essa inclusão sinaliza a adaptação do planejamento energético às necessidades de um sistema com maior penetração de fontes intermitentes.
Além dos ganhos ambientais e da redução da dependência de combustíveis fósseis, a robusta participação das renováveis diminui a exposição do Brasil às volatilidades dos preços internacionais de energia, fortalecendo a resiliência do sistema. Tal cenário fomenta a geração de empregos, impulsiona o desenvolvimento regional e aumenta a competitividade da indústria em uma economia de baixo carbono.
Apesar do avanço e reconhecimento internacional, o setor de energia brasileiro ainda lida com o desafio de equilibrar os custos da expansão renovável com a modicidade tarifária. Encargos setoriais e subsídios para fontes incentivadas, embora cruciais para o desenvolvimento do segmento, continuam a compor a tarifa, gerando debates sobre a justa distribuição dos ônus da transição entre consumidores e agentes de mercado.
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