Brasil pode alavancar energia limpa para atrair data centers, diz CEO da Stay
Tsai Chi-yu, CEO da Stay, destacou que o Brasil deve aproveitar sua matriz energética renovável para atrair investimentos em data centers e se integrar à cadeia global de tecnologia, impulsionando o avanço da inteligência artificial no país.
O Brasil deve aproveitar sua vasta matriz de energia renovável para se consolidar como um polo global de tecnologia, atraindo data centers e infraestrutura para inteligência artificial. Essa é a avaliação de Tsai Chi-yu, CEO da Stay, que, em entrevista ao CNBC Times Brasil, destacou a disponibilidade de energia limpa e água como diferenciais competitivos cruciais para o país.
Com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, onde mais de 80% da geração provém de fontes renováveis como hidrelétricas, eólica e solar, o Brasil oferece um atrativo natural para empresas que buscam reduzir sua pegada de carbono. O país já demonstrou sua capacidade de usar essa vantagem energética para atrair indústrias intensivas, como a de alumínio nas décadas de 1970 e 1980, estabelecendo um precedente valioso para o setor de tecnologia.
A abertura gradual do Mercado Livre de Energia desempenha um papel crucial nessa estratégia, permitindo que grandes consumidores de alta tensão, como os data centers, negociem diretamente com geradores de energia renovável a partir de 2024. Essa flexibilidade regulatória assegura contratos de longo prazo e preços competitivos, além de possibilitar às empresas a escolha por fontes 100% renováveis. Impulsionado pela digitalização e pela inteligência artificial, o setor de data centers no Brasil tem registrado taxas de crescimento anuais de dois dígitos, com um data center de médio porte consumindo o equivalente à demanda de uma cidade pequena.
A atração desses investimentos pode consolidar o Brasil como um hub tecnológico na América Latina, gerando empregos qualificados e impulsionando a economia digital. Além disso, aceleraria a transição energética, ao incentivar novos aportes em geração renovável para atender a essa demanda crescente e sustentável. Contudo, o aumento da demanda exigirá um planejamento robusto da rede de transmissão e distribuição, com a participação de atores como o Ministério de Minas e Energia (MME), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), para garantir a estabilidade e a qualidade do fornecimento.
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