Brasil volta a olhar para hidrelétricas reversíveis como solução de armazenamento
As hidrelétricas reversíveis, ou 'baterias hidráulicas', ganham destaque no Brasil como solução de armazenamento de energia de longa duração, essencial para a integração de fontes renováveis intermitentes. A tecnologia, já madura globalmente, enfrenta desafios regulatórios no país, mas é vista como crucial para a flexibilidade e segurança do sistema elétrico.
Hidrelétricas reversíveis, as chamadas 'baterias hidráulicas', ganham destaque no Brasil como solução de armazenamento de energia de longa duração, essenciais para a crescente inserção de fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar, na matriz elétrica nacional. A tecnologia permite bombear água para um reservatório superior em momentos de excedente de eletricidade e liberá-la para gerar energia quando necessário.
A demanda por armazenamento de grande porte intensifica-se à medida que a matriz elétrica brasileira, já composta por mais de 80% de fontes renováveis, integra progressivamente eólica e solar, que já representam mais de 25% da capacidade instalada. Historicamente dependente da flexibilidade de grandes hidrelétricas, o país vê a expansão de novos reservatórios limitada, impulsionando a busca por alternativas que garantam firmeza e operacionalidade ao sistema, reduzindo a dependência de termelétricas.
Apesar do potencial, o desenvolvimento de projetos esbarra na lacuna regulatória específica para hidrelétricas reversíveis ou armazenamento de energia de grande porte. Embora a Lei nº 14.120/2021 tenha aberto caminho para a valoração de atributos de flexibilidade e segurança, a ANEEL ainda precisa detalhar as regras de licitação, remuneração e integração dessas tecnologias, passo crucial para destravar investimentos privados e orientar o planejamento da EPE e do ONS.
A implementação dessas usinas promete maior segurança e flexibilidade ao sistema, mitigando o acionamento de termelétricas mais caras e poluentes e, a longo prazo, impactando positivamente a tarifa de energia. Globalmente, hidrelétricas reversíveis já representam mais de 90% da capacidade de armazenamento em larga escala, com cerca de 160 GW instalados, liderados por China e Estados Unidos, que as empregam para estabilizar suas redes e integrar fontes renováveis.
Na agenda regulatória da ANEEL, a discussão sobre a valoração e remuneração de serviços ancilares e de armazenamento assume prioridade para a viabilização desses projetos. A EPE, por sua vez, prossegue com estudos para identificar o potencial e a necessidade de armazenamento no planejamento da expansão, indicando que futuras consultas públicas e leilões de energia poderão contemplar requisitos ou mecanismos específicos para essa tecnologia.
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