ONS formaliza corte de GD e revisa critérios para resiliência do SIN
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avança na atualização de suas diretrizes operacionais para aumentar a resiliência do Sistema Interligado Nacional (SIN) frente a eventos climáticos extremos. As mudanças incluem a formalização de mecanismos de corte de geração distribuída (GD Tipo III), já acionados em junho para 1 GW, e a revisão dos critérios de confiabilidade da rede.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está desenvolvendo novas diretrizes operacionais para fortalecer a resiliência do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante dos crescentes impactos de eventos climáticos extremos, conforme comunicado da instituição. A iniciativa é reforçada pela formalização e pelo primeiro acionamento de mecanismos de corte de geração distribuída (GD Tipo III), que resultou na redução de até 1 GW em junho de 2026.
Entre as atualizações, o ONS revisa os critérios de confiabilidade N-1 e N-2, considerados insuficientes, e incorpora novos limites de ventos de até 280 km/h para o cálculo de infraestrutura, superando o teto anterior de 250 km/h. O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em novembro de 2025, estabelece as regras para o corte automatizado de GD remota, executado pelas distribuidoras. O ONS também intensifica o monitoramento de 13.571 km de linhas de transmissão, com foco em ventos acima de 90 km/h.
A implementação desses mecanismos impacta diretamente os geradores de GD Tipo III, como PCHs, usinas a biomassa, eólicas e solares de menor porte, que podem ter sua receita afetada pela imprevisibilidade dos cortes. No mercado livre, a medida adiciona complexidade e volatilidade, com a energia convencional no submercado Sudeste/Centro-Oeste já sendo negociada em patamares próximos a R$ 355/MWh, uma alta significativa em relação ao preço médio de 2025. O PLD no Sudeste/Centro-Oeste, por exemplo, está em R$ 180,87/MWh nesta semana, segundo dados da CCEE, evidenciando a pressão sobre os preços no ACL.
A necessidade de adaptação se estende a todos os agentes do setor elétrico, que precisam incorporar o risco climático ao planejamento e investir em adaptação. Investidores, por sua vez, são levados a reavaliar a localização e o fortalecimento de ativos. As discussões sobre a formalização e o aprimoramento contínuo dessas diretrizes de resiliência climática são tema central em eventos setoriais, como a 3ª Semana Regulatória do ONS, iniciada em 12 de agosto de 2026.
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