Cermissões alerta para desafios no setor elétrico com RJs de comercializadoras e expansão solar
A Cermissões manifestou preocupação com o cenário desafiador do setor elétrico, destacando a crise de liquidez e as recuperações judiciais de comercializadoras, além dos impactos da rápida expansão da geração solar sem sistemas de armazenamento em larga escala. A cooperativa aponta para um aumento de custos e riscos operacionais.
O setor elétrico brasileiro enfrenta um cenário desafiador, com a crise de liquidez de comercializadoras e a gestão da crescente geração solar intermitente como preocupações centrais. A Cermissões, permissionária de energia, alertou para esses riscos após o Encontro Nacional da Infracoop, indicando que a inércia em relação ao armazenamento de energia já se reflete na conta de luz dos consumidores.
A volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) horário, implementado em 2021, e a gestão de risco ineficaz impulsionam a crise de liquidez e as recuperações judiciais de diversas comercializadoras. Esse quadro afeta diretamente a segurança e a robustez do Ambiente de Contratação Livre (ACL), restringindo o crédito bancário e podendo levar a uma maior concentração de mercado, prejudicando players menores e a competitividade geral.
Paralelamente, a rápida expansão da energia solar, especialmente a geração distribuída, sem o acompanhamento de sistemas de armazenamento em larga escala adequados, gera desequilíbrios operacionais. Em períodos de baixa irradiação, o sistema precisa acionar fontes mais caras para garantir o suprimento, elevando os custos de operação e, consequentemente, as tarifas. Os Leilões de Reserva de Capacidade, por exemplo, já adicionaram encargos estimados em R$ 515 bilhões até 2046, com impacto projetado de até 10% nas tarifas de energia.
A regulamentação da Geração Distribuída também adiciona complexidade. A Lei nº 14.300/2022 instituiu a cobrança progressiva da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD Fio B) sobre a energia compensada, com percentuais de 60% a partir de 2026 e 90% a partir de 2028 para novos projetos. Além disso, o Ofício nº 553/2025-GDG/ANEEL validou o entendimento de que as distribuidoras detêm a prerrogativa de controlar a carga e realizar o corte da geração solar a pedido do ONS, introduzindo o risco de "curtailment" e afetando a rentabilidade dos investimentos.
Esse conjunto de fatores cria uma tensão crescente entre o avanço das renováveis e a necessidade de estabilidade e flexibilidade do sistema. Enquanto ONS e distribuidoras buscam mecanismos para garantir a segurança operacional, os consumidores e investidores em GD devem considerar os impactos da nova precificação do Fio B e o risco de interrupção da geração no dimensionamento e viabilidade de seus projetos.
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