Custos de energia renovável caem e devem baixar mais até 2035, aponta Irena
Um levantamento da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena) indica que os custos de geração solar, eólica e de armazenamento em baterias registraram quedas expressivas e seguirão em declínio até 2035. A tendência global tem impacto direto e positivo no Brasil, impulsionando a transição energética e a competitividade do setor.
Os custos de energia renovável, que abrangem as fontes solar fotovoltaica, eólica e os sistemas de armazenamento em baterias, registraram quedas significativas e devem seguir em declínio até 2035. Essa é a conclusão de um levantamento da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena). A projeção da agência intergovernamental indica um impacto positivo direto no Brasil, reforçando a posição do país com uma das matrizes energéticas mais limpas e competitivas globalmente.
Esse declínio nos custos reflete uma tendência consolidada há mais de uma década. A Irena tem documentado anualmente quedas expressivas no Custo Nivelado de Energia (LCOE) para a solar fotovoltaica e a eólica, o que as tornou as fontes mais baratas para a construção de novas usinas em diversas regiões do globo. No Brasil, essa competitividade é evidente nos leilões de energia nova, onde os preços para essas tecnologias se mantêm consistentemente baixos.
Atualmente, a matriz elétrica brasileira já conta com forte participação de fontes renováveis. A capacidade instalada de energia eólica ultrapassa 29 GW, enquanto a solar fotovoltaica, que inclui a geração centralizada e a distribuída, já supera 42 GW. Juntas, essas fontes representam mais de 30% da matriz elétrica nacional, atraindo investimentos anuais bilionários e registrando preços médios em leilões que frequentemente ficam abaixo de R$ 150/MWh.
A Irena, como agência intergovernamental, desempenha um papel fundamental na disseminação de dados e melhores práticas globais. No cenário nacional, a expansão das energias renováveis é orientada por um arcabouço regulatório bem estabelecido. O Ministério de Minas e Energia (MME) define as políticas setoriais, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) regula o mercado, e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) elabora os planos de expansão. Associações como Absolar e Abeeólica, por sua vez, representam os interesses dos geradores e investidores do setor.
A legislação brasileira também impulsiona esse crescimento. O sistema de leilões de energia nova, por exemplo, garante contratos de longo prazo que atraem investimentos robustos. Além disso, a Lei 14.300/2022, que estabelece o marco legal da micro e minigeração distribuída, torna a geração solar em telhados e pequenos projetos ainda mais atrativa para consumidores e empresas, incentivando a descentralização da produção de energia no país.
A contínua redução dos custos das energias renováveis deve se traduzir em tarifas de energia mais acessíveis para os consumidores, tanto no mercado cativo quanto no livre. Esse movimento ocorre ao diminuir o custo médio de aquisição de energia por parte das distribuidoras e comercializadoras, acelerando a transição energética nacional, reduzindo a dependência de fontes mais caras e poluentes, e atraindo novos investimentos para o setor, o que, por sua vez, gera empregos qualificados em toda a cadeia produtiva.
O Brasil já se destaca como um dos líderes globais na geração de energia renovável, com uma matriz predominantemente limpa. A competitividade da energia solar e eólica no país é comparável, e muitas vezes superior, à de diversas nações desenvolvidas, superando frequentemente os custos de novas usinas termelétricas a gás ou carvão. Esse cenário de custos decrescentes e competitividade se replica em mercados emergentes e consolidados globalmente, como Índia, China e partes da Europa, impulsionando a adoção generalizada de renováveis.
Em perspectiva, a tendência de queda de custos terá impacto direto nos próximos leilões de energia no Brasil, como os leilões de energia nova (A-4, A-5) e de reserva. Espera-se que as fontes solar e eólica continuem a apresentar os preços mais competitivos, consolidando sua liderança na expansão da matriz. Nesse sentido, a expansão da infraestrutura de transmissão será crucial para integrar a crescente capacidade renovável, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste, onde a maior parte dos projetos está concentrada.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Termometrodapolitica. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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