Demanda global por carvão deve crescer 1,2% em 2026, projeta IEA
A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta um aumento de 1,2% na demanda global por carvão em 2026, atingindo um recorde de 8,94 bilhões de toneladas. O cenário é impulsionado por preços elevados do gás natural e interrupções no mercado de energia devido ao conflito no Oriente Médio, com impactos esperados nos custos de geração térmica no Brasil.
A demanda global por carvão deve crescer 1,2% em 2026, alcançando um recorde de 8,94 bilhões de toneladas, segundo projeção da Agência Internacional de Energia (IEA). A revisão da agência, que antes apontava para uma ligeira queda, indica que os altos preços do gás natural e as interrupções no mercado de energia, agravadas pelo conflito no Oriente Médio, são os principais catalisadores para essa alta.
A IEA detalha que as interrupções nos embarques de GNL via Estreito de Ormuz, um forte El Niño que eleva a demanda por resfriamento e reduz a geração hidrelétrica, e medidas temporárias que favorecem o carvão em alguns países contribuem para o cenário. Mercados como Europa, Japão, Coreia e China, com capacidade térmica a carvão sobressalente, estão elevando a geração, enquanto a China também aumenta o consumo de carvão para a produção de químicos, diante dos altos preços do petróleo.
Para o Brasil, embora a projeção seja global, o encarecimento dos combustíveis fósseis tende a elevar o Custo Variável Unitário (CVU) das termelétricas a carvão e a gás, pressionando o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) em todos os submercados. Geradores térmicos podem se beneficiar de margens maiores, enquanto consumidores livres e comercializadores expostos ao spot enfrentarão custos mais altos. Apesar da demanda crescente, a produção global de carvão deve diminuir em 2026, principalmente por acidentes em minas na China, o que pode acentuar a pressão nos preços internacionais.
A incerteza se estende a 2027, com a IEA indicando que a demanda por carvão poderá recuar se os fluxos de GNL se normalizarem e os preços do gás natural retornarem aos níveis pré-conflito. O cenário expõe a tensão entre a transição energética e a segurança do suprimento, com o carvão atuando como solução de curto prazo em um contexto de metas globais de descarbonização. O gás natural está cotado a US$ 2,80/MMBtu, enquanto o Brent superou US$ 102 o barril.
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