Empresas de Pernambuco se preparam para leilões de baterias do MME em dezembro
Empresas de energia com atuação em Pernambuco, como OnCorp, Kroma Energia e Baterias Moura, se preparam para os leilões de armazenamento em baterias que o Ministério de Minas e Energia (MME) realizará em 02 e 04 de dezembro. O objetivo é integrar sistemas de baterias à rede elétrica nacional, especialmente no Nordeste e em Minas Gerais, para mitigar os cortes de geração de fontes renováveis e otimizar a infraestrutura existente.

O mercado de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) ganha impulso no Brasil, e empresas com forte presença em Pernambuco já se posicionam para os leilões que o Ministério de Minas e Energia (MME) promoverá nos dias 02 e 04 de dezembro. O certame visa contratar capacidade para mitigar os cortes de geração de usinas eólicas e solares, um problema persistente na região Nordeste, e tem a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) como responsável pelo cadastramento dos empreendimentos.
Companhias como OnCorp, Kroma Energia e Baterias Moura, esta última fabricante de sistemas BESS no Agreste pernambucano, estão entre as interessadas. A OnCorp, com escritório em Recife, já anunciou sua intenção de participar. Segundo seu presidente, João Mattos, a empresa busca diversificar ativos e aproveitar a capacidade de conexão e escoamento de energia em ativos já existentes do grupo, o que pode resultar em projetos mais eficientes e competitivos.
A necessidade de armazenamento se intensificou com o avanço da geração intermitente, como eólica e solar, que hoje respondem por uma parcela crescente da matriz elétrica brasileira. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) frequentemente determina cortes na produção dessas usinas – o chamado *curtailment* – para garantir a estabilidade da rede, resultando em perdas de receita estimadas em R$ 6 bilhões para os geradores no Nordeste.
Os leilões de dezembro buscam reverter esse cenário. Os projetos interessados devem apresentar potência mínima de 30 megawatts (MW), capacidade de operação contínua por pelo menos quatro horas, eficiência mínima de 85% e tempo máximo de recarga de seis horas. Um dos certames exigirá um mínimo de conteúdo nacional, enquanto o outro será aberto a todos os projetos de sistemas a baterias, incentivando a industrialização local.
A OnCorp já possui experiência relevante no setor, tendo participado da implantação da primeira usina híbrida do Brasil em sistemas isolados, a UTX Pacaraima, em Roraima. O empreendimento combina geração térmica, energia solar fotovoltaica e armazenamento em baterias, demonstrando a viabilidade da tecnologia para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e aumentar a confiabilidade do sistema.
Os sistemas de baterias a serem instalados no Nordeste e em Minas Gerais terão uma vantagem competitiva se estiverem próximos aos 129 pontos de conexão estratégicos citados no edital, recebendo pontuação extra pela localização. Essa medida visa direcionar os investimentos para as áreas onde o armazenamento pode gerar o maior benefício para a rede, otimizando o uso da infraestrutura de transmissão e postergando a necessidade de grandes expansões.
A Baterias Moura, por sua vez, manifestou-se oficialmente por meio de nota, afirmando que acompanha as discussões sobre a transição energética. A empresa ressalta que o fortalecimento da cadeia produtiva nacional é um fator relevante para o desenvolvimento sustentável, a geração de empregos qualificados e o estímulo à inovação tecnológica, e destaca sua contribuição ao debate a partir de sua experiência industrial, técnica e de pesquisa.
A contratação de sistemas de armazenamento de energia via leilões representa um passo importante no arcabouço regulatório brasileiro, alinhando o país a uma tendência global de mercados com alta penetração de fontes renováveis. A expectativa é que a implementação desses sistemas reduza significativamente o *curtailment*, aumente a receita dos geradores, otimize a infraestrutura de transmissão e contribua para a segurança energética do país.
Os interessados em concorrer aos leilões devem cadastrar seus empreendimentos junto à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) até as 12h de 31 de julho de 2026. Nesse período, é necessário apresentar a ficha de dados do projeto e a documentação exigida pela EPE, etapa crucial para a habilitação e participação nos certames de dezembro.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Movimentoeconomico. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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