EPE lança metodologia para mapear usinas hidrelétricas reversíveis no Brasil
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou uma Nota Técnica que estabelece a metodologia para estudos de inventário de Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs) no Brasil. O documento marca o início do mapeamento de potenciais locais para esses empreendimentos, um passo estratégico para integrar uma tecnologia crucial na busca por flexibilidade e segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente diante da crescente participação de fontes renováveis intermitentes.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) deu um passo importante no planejamento da expansão do setor elétrico ao divulgar uma Nota Técnica com a metodologia para estudos de inventário de Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs) no país. O documento visa identificar e caracterizar os locais mais propícios para a implantação dessas usinas, consideradas uma solução para aumentar a flexibilidade e a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A tecnologia das UHRs permite ofertar potência com a agilidade necessária para atender às variações de carga em curto prazo, além de proporcionar benefícios sistêmicos como economia e maior qualidade no fornecimento de energia elétrica. A EPE avalia que a participação dessas usinas na matriz brasileira pode garantir uma expansão do sistema de forma mais econômica e sustentável, complementando a crescente inserção de fontes eólica e solar.
Atualmente, o Brasil carece de estudos atualizados e com a precisão adequada para identificar esses potenciais aproveitamentos, incluindo sua caracterização básica de funcionamento e estimativa de custos de implantação. Os estudos de inventário propostos pela EPE são a etapa inicial de uma sequência de análises que subsidiarão o planejamento da expansão e, futuramente, a definição de um arcabouço regulatório específico para a inserção das UHRs no SIN, hoje inexistente.
A Nota Técnica publicada pela EPE já apresenta a metodologia e resultados preliminares para o estado do Rio de Janeiro, que será a primeira área a ser abrangida, com prioridade para regiões que apresentem aspectos socioambientais favoráveis. Na sequência, os estudos serão expandidos para o estado de São Paulo, antes de um desenvolvimento mais amplo nos demais estados brasileiros.
A busca por UHRs reflete a necessidade premente de flexibilidade no SIN, impulsionada pela rápida expansão de fontes intermitentes, que já somam mais de 40 GW de capacidade instalada em eólica e solar. Historicamente, o país dependeu de grandes reservatórios hidrelétricos para essa função, mas a redução da capacidade de armazenamento e as mudanças climáticas exigem novas soluções de suporte à rede.
Nesse cenário, a EPE atua como protagonista na fase de planejamento, elaborando os estudos que subsidiarão o Ministério de Minas e Energia (MME) na formulação de políticas para o setor. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) será um beneficiário direto da flexibilidade e dos serviços ancilares que as UHRs podem oferecer à operação do SIN, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) terá o papel crucial de desenvolver o arcabouço regulatório específico para viabilizar esses empreendimentos e atrair investimentos.
A ausência de um marco regulatório dedicado é um dos maiores desafios para a implementação das UHRs no Brasil, impedindo a precificação adequada dos seus benefícios sistêmicos. A Nota Técnica da EPE é um passo inicial para subsidiar a criação de regras claras de remuneração, despacho e licenciamento, que deverão ser desenvolvidas pela ANEEL em conjunto com o MME, abrindo um novo vetor de investimento em infraestrutura de grande porte.
A inserção de UHRs pode trazer ganhos significativos para a segurança e qualidade do fornecimento de energia, reduzindo a necessidade de despacho de termelétricas mais caras e poluentes em momentos de pico ou baixa geração renovável. Isso pode levar à estabilização ou até redução da tarifa de energia para o consumidor final e a indústria, além de proporcionar maior resiliência ao SIN, alinhada à transição energética e à descarbonização da matriz.
Globalmente, as UHRs são uma tecnologia madura e amplamente utilizada para armazenamento de energia em larga escala, com mais de 160 GW instalados, representando cerca de 95% da capacidade de armazenamento de energia em rede. Países como EUA, Japão e China as utilizam extensivamente para balancear a rede e integrar grandes volumes de energias renováveis intermitentes, servindo de modelo para o potencial de aplicação no Brasil.
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