EPE projeta R$ 5,7 bilhões em transmissão para conectar 4 GW de grandes cargas no Nordeste
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima investimentos de R$ 5,7 bilhões para expandir a capacidade de transmissão em 4 GW no Ceará e Piauí, viabilizando a conexão de grandes cargas eletrointensivas, como data centers e plantas de produção de hidrogênio por eletrólise, a partir de 2032. O planejamento, detalhado em workshop, adota uma estratégia faseada para mitigar riscos diante da incerteza inerente a muitos desses projetos, que somam 54,2 GW em pedidos de conexão até 2038.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) detalhou, em workshop realizado na última quarta-feira (30/06), estudos que preveem investimentos de R$ 5,7 bilhões para reforços na rede de transmissão do Ceará e Piauí. O objetivo é viabilizar a conexão de 4 GW em grandes cargas eletrointensivas, como data centers e plantas de produção de hidrogênio por eletrólise, com horizonte de entrada em operação a partir de 2032.
O evento, intitulado “Planejando a Rede de Transmissão para Integração de Cargas Eletrointensivas no SIN”, reuniu agentes do setor elétrico para debater os resultados dos estudos, que abrangem São Paulo e alguns estados do Nordeste, incluindo Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Nessas regiões, a EPE identificou os primeiros grandes potenciais de carga com perfil eletrointensivo, cuja demanda exige ampliações robustas na infraestrutura de transmissão.
O volume de processos de conexão de cargas eletrointensivas registrados junto ao Ministério de Minas e Energia (MME) é expressivo, somando 54,2 GW até 2038. Esse montante equivale a aproximadamente metade do pico de carga atualmente observado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o que evidencia a urgência de um planejamento estruturado para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
No estado de São Paulo, por exemplo, cerca de 8,8 GW desses pedidos de conexão estão concentrados, levando a EPE a realizar estudos prospectivos como os Relatórios R1 de “Reforço do Sistema da Região Central do Estado de São Paulo”, publicados em 2024 e 2025. As análises socioambientais para a região paulista, apresentadas no workshop, apontam o adensamento urbano como um dos principais desafios para a implantação de novas linhas e subestações.
Já na região Nordeste, o Estudo Prospectivo para Inserção de Cargas Eletrointensivas na Região Nordeste, de 2026, destaca o interesse em 21 projetos da cadeia de hidrogênio, totalizando 26,7 GW de potência instalada até 2038, além de 30 projetos de data centers, que somam 8,3 GW no mesmo período. A solução vencedora para Ceará e Piauí inclui a construção de uma nova subestação e linhas de transmissão, visando expandir a capacidade de atendimento nas áreas de Pecém e Parnaíba.
O Diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Reinaldo Garcia, ressaltou que, embora esses projetos representem “uma grande oportunidade para o desenvolvimento econômico, a inovação e a atração de investimentos para o Brasil”, eles também impõem o desafio de “preparar o sistema elétrico para atender essas novas demandas com segurança, com eficiência e racionalidade econômica, considerando que muitos desses projetos ainda possuem elevado grau de incerteza”.
Para mitigar os riscos, a estratégia de investimento foi estruturada em etapas, conforme explicou a Secretária Nacional de Transição Energética substituta, Lorena Perim. Uma primeira fase contempla investimentos comuns “a qualquer que seja o montante viabilizado dessas conexões”, enquanto a segunda etapa será realizada “à medida que as conexões forem sendo solicitadas”, abordando o dilema da precedência entre o investimento na rede e a efetivação das grandes cargas.
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