EPE projeta R$ 79,1 bilhões em expansão da transmissão para o SIN até 2032
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) detalhou um plano de investimentos de R$ 79,1 bilhões para a expansão do Sistema Interligado Nacional (SIN), com a adição de 20,5 mil km de linhas de transmissão. O Programa de Expansão da Transmissão (PET) e o Plano de Expansão de Longo Prazo (PELP) do 1º semestre de 2026, divulgados nesta quinta-feira (9), mapeiam as obras para escoamento de geração e reforço de interligações regionais.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) terá R$ 79,1 bilhões em investimentos para sua expansão, com a adição de 20,5 mil km de novas linhas de transmissão. Os números constam do Programa de Expansão da Transmissão (PET) e do Plano de Expansão de Longo Prazo (PELP) do primeiro semestre de 2026, publicados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) nesta quinta-feira, 9 de julho.
O PET/PELP é um documento gerencial bianual que consolida todas as obras de expansão do SIN recomendadas nos estudos de planejamento da EPE, que ainda não foram autorizadas ou licitadas. O documento serve como referência crucial para o mercado, ao apresentar um panorama detalhado das perspectivas do setor e as próximas expansões previstas para o sistema de transmissão.
Do total de investimentos projetados, R$ 49,0 bilhões (62%) serão direcionados para linhas de transmissão e R$ 30,1 bilhões (38%) para subestações. A maior parte desses recursos, R$ 67,3 bilhões (85%), corresponde a obras de caráter licitatório, enquanto os R$ 10,8 bilhões restantes (15%) serão implementados via autorizações diretas, delineando o perfil de contratação do setor.
Os investimentos visam principalmente o escoamento de nova geração e a ampliação de interligações regionais, representando 54% (R$ 42,9 bilhões) do montante total. Os 46% restantes, somando R$ 36,2 bilhões, focam no reforço do atendimento a mercados consumidores locais, garantindo a segurança e qualidade do suprimento em diversas regiões do país.
Regionalmente, o Sudeste/Centro-Oeste concentra a maior fatia dos recursos, com R$ 38,7 bilhões (49% do total), refletindo a demanda e a concentração de carga na região. Em seguida, o Nordeste, com R$ 19,7 bilhões (25%), o Sul, com R$ 15,6 bilhões (20%), e o Norte, com R$ 5,1 bilhões (6%), distribuem estrategicamente os projetos.
O PET, com caráter determinativo, abrange as obras com data-necessidade para os próximos seis anos (até 2032), enquanto o PELP, de caráter indicativo, contempla as instalações para entrar em operação a partir do sétimo ano (2033 em diante). Essa distinção temporal é fundamental para o planejamento de longo prazo e para sinalizar oportunidades de investimento no horizonte decenal.
O documento da EPE é uma ferramenta essencial para investidores, consórcios e fornecedores da cadeia de alta tensão, que o utilizam no planejamento de negócios e estratégias para leilões de transmissão. O Ministério de Minas e Energia (MME) emprega o PET/PELP como insumo direto para a elaboração dos editais dos próximos certames, moldando a oferta de projetos ao mercado.
A EPE, responsável pela coordenação desses estudos, também lançou, em 8 de julho, uma Base de Dados Integrada G+T, que permite análises detalhadas do sistema elétrico, com consideração de restrições físicas e resolução espacial. Essa ferramenta aprimora a modelagem das incertezas dos recursos naturais e reforça a capacidade analítica para o planejamento da expansão.
A competência da EPE para elaborar estudos de expansão de energia elétrica é estabelecida pelo Decreto nº 5.184/2004. Para o ciclo de planejamento de 2026, a EPE atualizou os parâmetros econômicos de referência, detalhados no Informe Técnico No. EPE-DEE-IT-042/2026, de 29 de abril. O Informe Técnico detalha, por exemplo, que o Custo Marginal de Expansão (CMEduplo) para valoração das perdas elétricas foi adaptado para 269,93 R$/MWh para o período de 2030 a 2038.
Os investimentos detalhados no PET/PELP, uma vez licitados e construídos, serão remunerados via Receita Anual Permitida (RAP), o que impactará a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) e, consequentemente, as tarifas de energia para os consumidores. A expansão da transmissão, ao melhorar o escoamento de geração (especialmente renováveis) e as interligações regionais, pode influenciar indiretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) ao reduzir restrições e perdas, e na garantia de lastro para o mercado.
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