GAO: Bilhões em fundos federais para rede de Porto Rico seguem parados
Um relatório do Government Accountability Office (GAO) dos EUA revela que US$ 10,7 bilhões em fundos federais para a recuperação da rede elétrica de Porto Rico, desde 2017, permanecem sem desembolso. A lentidão impacta diretamente a estabilidade da infraestrutura, que registrou mais de 70 horas de interrupções por residente em 2024 e um blecaute total em abril de 2025.
A recuperação da rede elétrica de Porto Rico, fragilizada por furacões e terremotos desde 2017, enfrenta um gargalo financeiro, com US$ 10,7 bilhões em fundos federais ainda não foram desembolsados. Um relatório do Government Accountability Office (GAO) dos EUA, publicado em 2 de julho de 2026, aponta que apenas 25% dos US$ 14 bilhões obrigados foram efetivamente liberados, o que resulta em progresso limitado na estabilidade do sistema e interrupções frequentes que afetam a população da ilha.
A análise do GAO detalha a disparidade nos desembolsos: a FEMA desembolsou US$ 2,7 bilhões de US$ 11,1 bilhões obrigados, enquanto o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano (HUD) liberou apenas US$ 589 milhões de US$ 2,9 bilhões. O Departamento de Energia (DOE) liberou US$ 255 milhões de US$ 1 bilhão. Essa morosidade contribui para a precariedade da rede, que registrou mais de 70 horas de interrupções por residente em 2024 e sofreu um blecaute total em abril de 2025. Isso evidencia a urgência de uma gestão mais eficiente dos recursos.
Diante desse cenário, o relatório do GAO não apenas expõe as falhas, mas também apresenta cinco recomendações cruciais à FEMA e ao DOE, as quais as agências já concordaram em implementar. As agências federais são instadas a documentar claramente seus papéis e responsabilidades, além de estabelecer um mecanismo de coordenação eficaz. A alta rotatividade de pessoal e a complexidade dos processos de revisão são citados como fatores que geram atrito entre as expectativas de recuperação e a realidade local.
O relatório também destaca a tensão entre a necessidade de reparos imediatos e a visão de longo prazo para uma matriz energética mais resiliente e renovável. O documento aponta que US$ 365 milhões, originalmente destinados a projetos solares, foram redirecionados para 'consertos práticos', e até US$ 350 milhões em subsídios solares do DOE foram cancelados. Essa mudança de foco prejudica a transição energética da ilha, favorecendo soluções paliativas em detrimento de uma modernização sustentável.
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