Governo português determina elaboração de estratégia industrial verde até 2040
O Governo de Portugal determinou a elaboração de uma Estratégia Industrial Verde com horizonte até 2040, visando posicionar o país na competição por investimentos ligados à descarbonização e à transição energética. A iniciativa busca transformar as vantagens competitivas nacionais em crescimento econômico e inovação.
O Governo de Portugal, por meio de despacho conjunto dos Ministérios da Economia e Coesão Territorial e do Ambiente e Energia, determinou a elaboração de uma Estratégia Industrial Verde com horizonte até 2040. O objetivo central é atrair investimentos em descarbonização, transição energética e inovação, capitalizando as vantagens competitivas do país para sua reindustrialização.
A Estratégia Industrial Verde terá como foco a identificação de cadeias de valor prioritárias, avaliando seu potencial de descarbonização e as oportunidades de investimento tecnológico, industrial e econômico. O plano também estimará os impactos socioeconômicos e energéticos, além de propor medidas para superar constrangimentos regulatórios, financeiros e infraestruturais. Setores como indústrias pesadas verdes, aço descarbonizado, eletrificação da economia, armazenamento de energia, produção de gases renováveis e mobilidade elétrica figuram entre as prioridades.
Portugal busca capitalizar suas vantagens competitivas, como a alta penetração de energias renováveis na matriz elétrica (cerca de 80% da geração) e custos energéticos industriais aproximadamente 30% mais baixos que a média da União Europeia. Os dez principais setores da indústria portuguesa, alvo da estratégia, respondem por 93% do consumo energético industrial e 58% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) industrial, evidenciando o potencial de impacto da descarbonização nesses segmentos.
A iniciativa se alinha e complementa planos nacionais anteriores, como o PNEC 2030 e o RNC 2050, aprofundando o foco na reindustrialização e descarbonização do setor produtivo. A estratégia também se insere no contexto de uma forte aceleração das políticas industriais europeias, impulsionadas por instrumentos como o Net-Zero Industry Act e o Critical Raw Materials Act, que visam reforçar a autonomia estratégica do bloco e impulsionar tecnologias limpas.
A proposta da Estratégia será desenvolvida por agências como a ADENE (Agência para a Energia) e o IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação), em colaboração com o LNEG (Laboratório Nacional de Energia e Geologia), AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e DGE (Direção-Geral da Economia). A articulação com o tecido empresarial e científico é considerada fundamental para garantir a expertise técnica e a representatividade setorial.
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