Ibama autoriza Petrobras a perfurar três novos poços na Foz do Amazonas
O Ibama retificou a Licença de Operação nº 1684, autorizando a Petrobras a perfurar três novos poços exploratórios no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A decisão, assinada em 3 de setembro de 2026, impõe rigorosas condicionantes ambientais que moldarão o cronograma e a execução das atividades na Margem Equatorial.
O Ibama formalizou a retificação da Licença de Operação nº 1684, autorizando a Petrobras a perfurar três novos poços exploratórios — Manga, Crotalus e Morpho Extensão — no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A autorização, assinada pelo presidente do órgão ambiental em 3 de setembro de 2026, dá continuidade à campanha de exploração na região, vista como estratégica para o futuro da produção nacional de petróleo e gás.
A decisão do Ibama impõe restrições. Entre as condicionantes, destacam-se a proibição de descarte de cascalho no mar em áreas de reservas principais e a exigência de que a Petrobras não opere sondas simultaneamente sem uma vistoria prévia que inclua uma segunda unidade. Além disso, testes de formação nos novos poços dependerão da instalação de uma planta de tratamento de água produzida na unidade marítima, o que eleva a complexidade operacional.
A base regulatória para esta expansão remonta ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima) apresentados pela Petrobras em 2021, que já previam os poços adicionais como contingentes. A retificação da licença atual dá sequência a um processo que teve sua licença original para o poço Morpho emitida em outubro de 2025.
A Petrobras prevê investir US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial e perfurar 15 poços entre 2026 e 2030, um plano que se fortalece com a nova autorização. Este movimento tem o potencial de fortalecer as reservas nacionais de petróleo e gás no médio e longo prazos, caso a viabilidade comercial das descobertas seja confirmada, gerando demanda na cadeia de óleo e gás e impulsionando o setor de exploração e produção (E&P) e serviços correlatos.
O valor da compensação ambiental do empreendimento foi atualizado para R$ 16,52 milhões, equivalente a US$ 3,22 milhões ao câmbio de R$ 5,13 por dólar.
Contudo, o processo de licenciamento tem sido alvo de escrutínio. O Ministério Público Federal (MPF) expressou preocupação com divergências de informações e alertou para o risco de impactos ambientais acumulados por uma campanha de perfuração potencialmente mais longa. Essa tensão entre o órgão regulador e o controle externo pode gerar atrasos ou exigir revisões adicionais no projeto, impactando o cronograma e os custos operacionais da Petrobras.
A Petrobras tem agora 30 dias, a partir do recebimento da retificação, para apresentar ao Ibama um cronograma atualizado do projeto de perfuração. A companhia deverá cumprir as novas condicionantes, como a atualização da análise de riscos ambientais e o reforço do Projeto de Comunicação Social, enquanto o Ibama monitorará o cumprimento das medidas e realizará vistorias técnicas.
No mercado, as ações da Petrobras (PETR3) fecharam em R$ 36,70 em 5 de setembro de 2026, com queda de 0,49%, enquanto o preço do barril de Brent, referência internacional, foi de US$ 89,00 na mesma data. A continuidade da exploração na Foz do Amazonas, apesar das pressões ambientais e regulatórias, é vista como um fator estratégico para a companhia e para a segurança energética do país, com o potencial de influenciar a oferta de hidrocarbonetos no futuro.
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